Por Genaldo de Melo
Ontem considerado como o dia
do vereador nos remete a pensar sobre as distorções da cultura política no
Brasil, aonde a maioria do povo, ou seja, os cidadãos desinformados e em sua
grande maioria sem formação política nenhuma, acha que o vereador deve fazer o
papel que cabe ao Executivo. Na relação entre o eleitor e o detentor de
mandatos, os cidadãos em sua grande maioria não conseguem definir os papéis de
cada um no Poder.
Na mentalidade política do
brasileiro vereador é quem calça rua, quem constrói escola e faz os
investimentos necessários à população. A distorção é tamanha que os próprios
vereadores para atenderem a esse conceito errôneo do seu papel acabam se
promiscuindo politicamente.
Esse conceito errado sobre o
papel do vereador nasce das premissas do próprio processo eleitoral, onde os
detentores de mandatos são candidatos representando grupos de interesses e
literalmente viciam parte do povo comprando votos e consciências. Nesse sentido,
o povo acha sempre que a política é somente o processo eleitoral em si, e
passando o mesmo deixa-se a política e se passa a uma eterna relação de
promiscuidade entre o eleitor e o vereador, e entre o vereador e o Chefe do Executivo.
Tem gente que mesmo não
conseguindo se eleger continua fazendo propaganda de que está calçando rua,
construindo isso e aquilo, e o povo menos informado ainda acha que o indivíduo
é quem faz de fato. O Chefe do Executivo e sua equipe de governo sempre ficam
calados para não se tornarem telhado de vidro, pois a culpa pelo que não
acontece é sempre do vereador que se presta a esse papel.
Instâncias adequadas para
educar o povo sobre o papel do vereador, do prefeito, do deputado ou do
governador existem, o que falta é vontade política para educar politicamente o
cidadão.
Vereador é para propor
projetos de leis, atos legislativos, fiscalizar o trabalho do governo
municipal, aprovar projetos do Executivo de interesse da comunidade, aprovar ou
apresentar emendas ao orçamento municipal, mas a maioria dos vereadores que são
eleitos querem mesmo é ser extensão de seus financiadores de campanha que
ganham as licitações públicas, querem mesmo é ser extensão como empregados do
Chefe do Executivo por migalhas.
A maioria dos vereadores
quer é que o povo ache que eles são quem executam obras públicas, que o povo
seja um eterno bárbaro que não sabe a força que tem para sempre precisar de
guias. Viva os nobres...!
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