Pular para o conteúdo principal

A Reforma Política para os tolos



Por Genaldo de Melo
 olho bandeira do brasil imagens para facebook
Um dos assuntos mais analisados e discutidos nos últimos anos diz respeito à necessidade de se reformular as regras político-eleitorais em nosso país. A Reforma Política no Brasil não é apenas coisa de esquerdistas, ou de representantes de setores progressistas e partidos de esquerda que não têm acesso aos instrumentos “cabalísticos” de se ganhar eleições em nosso país. A Reforma Política é uma necessidade urgente da sociedade brasileira em face aos distúrbios elementares existentes no processo de representatividade, principalmente dentro das casas parlamentares.

Assuntos sérios em relação ao nosso código eleitoral precisam de fato serem debatidos e reformulados, pois o que vivemos nessa crise de representação política está levando nosso país a bancarrota, e ao fracasso institucional propriamente dito. Como não se discutir o processo de financiamento eleitoral, para torná-lo mais igualitário, e propriamente dito de todos os brasileiros, e não apenas de empresas cada vez mais envolvidas em corrupção e distúrbios elementares, política e economicamente falando?

Como não se discutir dois assuntos de extrema necessidade para o processo eleitoral no país como a fidelidade partidária, e a cada vez mais exagerada criação de partidos políticos que não têm programas e nem projetos, nem para o país e nem de poder propriamente dito?

É uma verdadeira vergonha para uma jovem democracia como a nossa ver a cada ano a criação de partidos políticos para servirem de trampolim para interesses de eminências pardas e indivíduos sem compromisso com nada, além de seus umbigos e seus cofres. Mais vergonha ainda é de se ver a cada dia homens e mulheres que se arvoram no direito de quererem discursar como legítimos representantes do povo, trocarem de partido político como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se fosse a troca de roupa diária.

É preciso acabar com essa canalhice institucional no Brasil, pois partido político não pode ser comparado com organizações do Terceiro Setor, que são criadas a cada dia sem fundamento e sem objetivo, mas apenas para movimentar egos e interesses econômicos de alguns iluminados! Partido político em sua própria essência deve possuir conteúdo programático, porque ele é criado para lutar por um projeto de poder, para administrar projeto de sociedade. Mas no Brasil nas últimas décadas indivíduos e grupos favorecidos economicamente passaram a recolher assinaturas, que muitas das vezes naturalmente não se pode comprovar se assinaturas verdadeiras ou falsas, e estão criando partidos políticos como se criam associações de moradores de periferia, em que em cada bairro de determinado município existem dezenas de entidades dessa natureza.

Mas como vamos conseguir isso apenas deixando um assunto tão sério nas mãos e nas vontades dos próprios parlamentares que se elegeram exatamente com financiamento privado, resultado de uma legislação torta? Como fazer a Reforma Política necessária quando mais uma vez se ver a configuração conservadora do Congresso Nacional, especialmente a Câmara dos Deputados? Foram exatamente 362 deputados eleitos com dinheiro de apenas dez empresas brasileiras, que os querem como verdadeiros lobistas de seus interesses nas licitações públicas!

O sonho ficou mais distante da necessidade agora com a nova configuração na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB), de forma inteligente acomodou em torno de si uma bancada da maioria de diversos partidos políticos para defender exatamente o contrário de todo debate que foi feito até hoje, ou seja, o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais. Intelectualmente mais preparado do que muita gente que se alardeia em nossa República como intelectual, ele tem agora a faca e o queijo para cortar e servir aos tolos.

A primeira escolha de Eduardo Cunha (PMDB) já deu o tom de que a decantada e alardeada Reforma Política é para enganar os tolos. Escolher um representante do Democratas como presidente da Comissão Especial da Reforma Política é um ultraje e uma verdadeira falta de respeito com quem vem falando da necessidade de se reformular nossas regras eleitorais a muito tempo. Aonde que Rodrigo Maia (DEM) vai defender fim de financiamento privado de campanha eleitoral nesse país? Vejamos quem o apoiou financeiramente em sua campanha nas últimas eleições, e saberemos suas posições sobre reformulação das regras eleitorais nesse país.

Mas vamos esperar prá ver uma canção que já foi sucesso em todos os tempos com novidades vibrantes, ou seja, uma música com outros arranjos que não interessa ao gosto musical da maioria da sociedade brasileira! Podemos ver a continuidade do financiamento privado; podemos ainda ver a discussão sobre cláusula de barreiras que prejudicará não somente os chamados partidos de aluguel que não deveriam nem existir, mas também os pequenos partidos com identidade e ideologia próprias, e historicamente definidos e reconhecidos; podemos ver também passar naquele Congresso de mentira uma proposta estapafúrdia como o “Distritão”.

Se os chamados Aparelhos Privados de Hegemonia (atores orgânicos da Sociedade Civil) não pararem de viver das picuinhas advindas do Economicismo Sindical e passarem a assumir as responsabilidades que seus representados necessitam de fato, a tão falada como necessária Reforma Política nesse país não terá nada daquilo que de fato é necessário para o país, mas sim regras ridículas que beneficiarão apenas uns poucos que se acham donos da jovem República Brasileira.

A Reforma Política tem que ser apresentada e debatida também, e necessariamente nas ruas, ou então sucumbiremos mais uma vez ao nefasto processo de corrosão das elementares regras éticas da política brasileira. Não se pode de forma nenhuma esperar que os defensores do “parlamentarismo” torto façam a Reforma Política nesse país, porque a eles não interessam mudanças substanciais nesse processo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FRAQUEZA E AS DOENÇAS DE UM LÍDER PEQUENO

Por Genaldo de Melo O líder político deve ser sempre o mais forte, moral e espiritualmente, do grupo que lidera, ou pelo menos parecer ser. Fraqueza é a premissa mais incoerente que existe na natureza de quem  deseja liderar politicamente um povo. Apenas no extremismo político a fraqueza pode ser considerada coisa boa, porque um fanático não enxerga tal coisa como negativa. Apenas os apedeutas do extremismo são verdadeiros analfabetos políticos. Como compreender o ex-presidente que sempre arrotou valentia, vomitava intolerância, violência e ódio continuar com tantos seguidores demonstrando fraqueza e se vitimizando o tempo todo quando a coisa aperta para ele? Não o considero líder de nada, apenas de oligofrênicos! O homem foi condenado a ficar fechado na cadeia a mais de vinte sete anos por crimes que evidentemente cometeu, conforme o Código Penal e a Constituição Federal, e fica todo dia inventando coisas para voltar para casa para voltar a encrencar e infernizar a vida do povo br...

ONU e Conab assinam acordo para troca de experiências de combate à fome

Por Genaldo de Melo Com o objetivo de fortalecer iniciativas contra a fome e voltadas para a segurança nutricional, representantes do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) assinaram hoje (30) um documento para promover intercâmbio de experiências entre o Brasil  e outros países em desenvolvimento.  Segundo o diretor do Programa de Alimentos da ONU, Daniel Balaban, países da África e da Ásia usarão experiências brasileiras com exemplo para a implantação de programas que devem ajudar no combate à fome, com o fortalecimento da agricultura familiar. Entre as iniciativas citadas por Balaban, os destaques são os programas de aquisição de alimentos do governo brasileiro e o de alimentação escolar, por meio do qual escolas públicas incluem na merenda produtos da agricultura familiar. “O mais importante é que esses países consigam, a partir da experiência brasileira, implantar seus próprios programas...

LITERATURA