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Meu primo quer ditadura militar no Brasil


Por Genaldo de Melo
 
O danado do Meu Primo, velho conhecido, que decerto em tese tem uma boa formação, e também na condição de bem estabelecido economicamente na vida, com um discurso parecido com o de muita gente que parece que tem um bom nível cultural me veio por esses dias com uma defesa bastante perigosa da volta da ditadura militar ao nosso país. Discurso com premissas bastantes consistentes para quem não tem tempo de estudar, e que também não viveu no período das sombras dos generais que governaram nosso país durante vinte anos. Discurso que acaba por convencer determinadas pessoas suscetíveis aos discursos emocionais de raquíticos intelectuais que não sabem o que significa de fato uma ditadura militar.

Nas entrelinhas do discurso do Meu Primo, que não está sabendo de fato o que diz, porque não é nem um pouco politizado, pois somente ouve o terrorismo político e econômico pregado hoje de forma gobbellsiana pela máquina da imbecilidade do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e pela revista de fofoca da Marginal Pinheiro de São Paulo, está a defesa do militarismo porque acha que todos os políticos não prestam e são todos ao mesmo tempo corruptos, e somente quem pode resolver o problema do Brasil são os generais do Clube Militar, saudosos da época em que controlavam o poder político no Brasil.

Ora, com todo o respeito que tenho pelos militares desse país, bem como pelo danado do Meu Primo, não posso de forma nenhuma concordar com tal tese, pois incorro no risco de ser limitado também do ponto de vista intelectual. Com todo respeito mesmo, devo dizer que o lugar dos militares é na defesa mesmo de nossa nação, de nosso território e de nosso povo. Lugar de militar não é na política, e caso assim queira, que saia então do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e milite em partido político e concorra ao poder. Defender uma tese dessa natureza contrária todos os princípios que regem o conceito e a noção prática da existência do Estado Moderno no sentido mais literal da palavra.
 
Na realidade tem gente que não estuda e vem defendendo essas teses que já foram colocadas em prática em nosso país e foi um verdadeiro desastre. Pois quando no poder os militares não aceitavam, e jamais vão aceitar, qualquer tipo de discordância das suas elementares decisões políticas, até porque com armas nas mãos eles podem inclusive matar e esconder a verdade nos seus porões e nos tapetes sujos da história. 

Meu Primo deveria... Não! Meu Primo deve tomar vergonha na cara e conversar mais um pouco com seu pai que tem idade suficiente prá ensinar prá ele o que viveu no período de Arthur da Costa e Silva e companhia limitada, em que para falar em política tinha que se esconder dentro de casa, e se tivesse com mais de três amigos, controlar o horário para não ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

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