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A juventude rural merece atenção



Por Genaldo de Melo

Analisando o Estatuto da Juventude que de forma pioneira no Brasil pela primeira vez de fato delineia as políticas para nossos jovens uma preocupação nos ocupa a mente. Por que a juventude rural teve menos prestígio e menos atenção no documento?

Existem apenas duas menções que parecem ainda insuficientes para a seriedade do assunto. A primeira refere-se ao transporte escolar, que é necessário, e que nos ajuda a compreender o esvaziamento escolar no campo. A segunda é também importante e se refere à inserção produtiva da juventude nos mercados de trabalho e econômico. E mais nada porém se discute colocando a juventude rural como protagonistas da chamada sucessão rural.

Nossa opinião sobre o assunto não nasce apenas de forma pessoal aqui. Nasce, aliás, do documento “Notas dos Movimentos e Organizações Sociais do Campo sobre o Estatuto da Juventude”, encaminhado recentemente ao senador Paulo Paim, relator da PL 98/2011, da Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Porque fica difícil compreender, principalmente para as 23 principais organizações sociais com atuação exclusiva no campo brasileiro, que metade da emigração rural para os grandes centros urbanos são do grupo social etário considerado pelo novo Estatuto como jovens, e somente tem duas pequenas e insuficientes menções num universo tão grande como aqueles dos Espaços Menos Densamente Povoados.

Citar apenas a necessidade de transporte escolar para o fortalecimento da Educação do Campo e no campo representa falta de debate num universo de baixos índices de alfabetização, de ensino formal e de falta de acesso ao ensino superior entre os jovens que vivem no campo. Parece que não viram os dados da realidade quanto ao fechamento de 37 mil escolas nos últimos 10 anos em zonas rurais. Ora de fato é necessário que se pense nos meios institucionais a garantia completa do sistema público de educação do campo para os jovens rurais, que se tenha de fato um sistema de Educação do Campo e no campo, porque quem não aprende a pensar no campo brasileiro vai fazer parte dos índices de violência, prostituição, desemprego e drogadição nos grandes centros urbanos desse país.

Citar apenas a inserção dos jovens nos mercados produtivos e econômicos e não criar as condições necessárias para o desenvolvimento do mundo do trabalho para a juventude rural no próprio campo sempre vai ser premissa para emigração e ponto de estrangulamento da própria sucessão rural. O Estado criou nos últimos tempos apenas um instrumento de geração de trabalho no campo, com o PRONAF Jovem, mas não criou as condições estruturais para o seu funcionamento de fato. De nada adiantou, porque não funciona e continua a emigração exagerada dessa parcela da população rural para os lugares mais propícios em busca de emprego.

É necessário que o Estatuto da Juventude não pense apenas nos jovens urbanos, mas também acrescente os temas necessários para que o mundo rural funcione com a participação da juventude, que pode sim continuar sendo considerada o nosso futuro. É necessário que o Estatuto tenha em seu conteúdo questões relativas à: direito à terra e a promoção de uma Reforma Agrária sem romantismo dos loucos que se utiliza dos sonhos das pessoas para serem deputados estaduais e federais; o fortalecimento da Educação do Campo e no campo, sem desvios de verbas, de material escolar, e até mesmo da merenda escolar; fortalecer os processos de organização da produção da Agricultura Familiar; a consolidação das relações trabalhistas que promovem a dignidade dos assalariados rurais; o direito ao esporte, cultura, lazer e o acesso aos equipamentos de saúde, apropriados à diversidade dos modos e contextos da vida dos e das jovens no espaço rural brasileiro.

Aliás é necessário repensar se a juventude rural é importante ou não é importante nesse país. Porque pensar somente em quem vive nas zonas urbanas é como achar que toda a juventude rural vai se urbanizar.

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