Por Genaldo de Melo
Não nutria nenhum interesse em escrever sobre a polêmica do momento,
que é a vinda de médicos estrangeiros para atender aos nossos programas de
Saúde Pública, através do “Mais Médico”. Mas ficaria extremamente envergonhado
se não dissesse o que penso mesmo correndo o risco de alguns amigos ficaram
chateados comigo. Aliás, é necessário que eu diga isso com todo cuidado porque
senão daqui a pouco vão dizer que eu é que estou com preconceito contra uma
minoria de médicos conservadores, que em matéria de defensores da vida, não
passam de defensores deles mesmos. Aliás, estão provando isso na prática!
O que não se pode compreender, e aliás é difícil mesmo de se
compreender, é a histeria coletiva de médicos brasileiros e organizações
representativas dos mesmos, com aval de uma parcela da imprensa marrom desse
país, contra a chegada dos médicos estrangeiros, principalmente cubanos, que
aliás são considerados pelo mundo todo, os melhores do mundo.
Fica mais difícil compreender ainda é que são exatamente os
cubanos que estão sendo tratados como escravos, ao ponto das médicas serem
pejorativamente tratadas como empregadas domésticas, como se estas fossem
escravas ou animais (coisa que aliás, aconselho as entidades que representam
esta categoria profissional agirem na forma da lei contra esses preconceituosos/as
de plantão). Eles são em sua grande maioria médicos experientes. Muitos deles
com mais de quinze anos de profissão, que servem não somente ao seu país de
origem, mas já participaram de vários programas de sucesso na área da saúde em
países de todos os cantos do mundo, principalmente no chamado Primeiro Mundo.
Concordo com o artigo de Cadu Amaral, publicado ontem em
vários sites pelo país afora, de que isso nos envergonha de fato, pois quem
deveria está nos rincões do Brasil atendendo com orgulho nosso povo deveria ser
exatamente os bons profissionais, que são formados em medicina em nossas
universidades, e que estão nos envergonhando mundo afora. Porque a imprensa
brasileira está mostrando para o mundo uma imagem negativa de um povo que por
sua natureza é solidário, que são os brasileiros.
Como se pode protestar e levar esses protestos ao cúmulo do
preconceito e até da xenofobia, com apoio do Jornalismo da Obediência (ou seja
o jornalismo politizado mesmo, por grupos empresariais que querem a qualquer
custo voltar ao poder nesse país), com apoio da classe médica que é omissa ao
assunto e somente quer trabalhar nas capitais e em clínicas particulares,
enquanto o povo agoniza no Oeste da Bahia, no Sertão de Sergipe e do Ceará, e
em outros lugares mais distantes aonde vive gente de sangue vermelho como os
outros são? Aqui alguma coisa deve ser feita em contraponto a esse desvario
corporativista!
Ninguém que ir trabalhar nesses lugares mais distantes dos
eixos centrais, aliás longe dos shoppings centers e das salas com ar
condicionado, e quando o Estado quer solucionar o problema, as vozes de “sangue
azul” gritam que tudo isso é política. O que estão a fazer nos ridicularizando
mundo afora é o quê mesmo? Ou você defende os interesses da maioria do povo ou
você defende os interesses de uma pequena minoria conversadora! Isso é
política, e é exatamente o que estão fazendo.
A Saúde Pública no país tem seus grandes pontos de
estrangulamento, que se deve começar a serem resolvidos. Se o primeiro passo é
este, que seja este mesmo! É melhor ter um português, um argentino ou um cubano
atendendo o povo lá nos rincões do mundo pelo esse Brasil afora do que não ter
nada. O povo não merece ficar sem médico somente porque alguns que não querem
trabalhar longe das capitais e cidades grandes de abrangências regionais não
concordam com isso.
A maioria dos cidadãos sem condições de acesso direto a
determinados bens de consumo do mundo moderno não pode ficar sem atendimento de
saúde pública. Saúde particular é um bem de consumo caro para quem vive de
salário mínimo...!
Para não esquecer, doutor é quem faz doutorado!

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