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A cultura do atraso

Por Genaldo de Melo
 
Rezam os bons costumes que um município que preserva pela construção de Políticas Públicas na área cultural naturalmente tende a ser destaque em todos os aspectos diante de outros municípios que não fazem o mesmo. Um município que não preza pelo seu desenvolvimento cultural deverá sempre ser considerado pobre, não somente em seus aspectos culturais, mas também do ponto vista social, econômico e político. O caso de Feira de Santana é emblemático, porque culturalmente é pobre de Políticas Públicas.

Perante a Lei 3.435, de 18 de dezembro de 2013, que “Estima a receita e fixa a despesa do município para o exercício de 2014”, o que vemos é um verdadeiro disparate com a cultura no município de Feira de Santana. Lógico que o orçamento do município é relativamente pequeno pelo porte populacional e tamanho em importância regional, mas considerar a cultura do município como sem importância e aportar recursos de apenas R$ 5.045.200,00, num universo de um orçamento total de R$ 941.715.315,00 não pode ser considerado normal para os atores do mundo cultural de um município que tem história e valores culturais ímpares em todo o Estado da Bahia.

Analisando o anexo da peça orçamentária referente ao assunto também não dá para compreender porque somente existem metas culturais para apenas três regiões administrativas e apenas três distritos. Sim, e como ficam as outras duas regiões administrativas e os outros cinco distritos? Pelo visto os técnicos que formularam a peça pensam que cultura em Feira de Santana é coisa de poucos bairros e poucos povoados, pois o resto não precisa.

São fixadas seis metas a ver: conservar e manter o bom funcionamento das unidades culturais, nas regiões administrativas I, II e III, e nos distritos de Maria Quitéria e Humildes; manter em boas condições de uso as bibliotecas e os teatros municipais, nas mesmas regiões e mesmos distritos; modernizar as bibliotecas municipais através da informatização, nas mesmas regiões e mesmos distritos; apoiar e promover eventos que estimulem a preservação da memória cultural de Feira de Santana, na região administrativa I; realizar eventos culturais no âmbito do município na Região Administrativa I e nos distritos de Humildes, Matinha e Maria Quitéria; e construir infraestrutura para instalação de equipamentos culturais e científicos, na Região Administrativa I. Mas e o resto? E as outras necessidades culturais? E os outros bairros e distritos como ficam?

Pelo visto cultura em Feira de Santana do ponto de vista público tem poucas políticas, e ainda assim muito subjetivas e para poucos! Enquanto isso grande parcela de nossa juventude que necessita de Políticas Públicas na área cultural para se formarem como bons cidadãos, por falta disso, pela existência de poucos recursos alocados na Lei de Diretrizes Orçamentárias para suas metas físicas, fica exposta ao mundo da drogadição e da violência pujante, que em Feira de Santana por causa da política é quantificada e não qualificada.


É bom lembrar duas coisas aqui pensando nesse disparate. Primeiro o mercado em si não faz cultura para todos, apenas para poucos visando o lucro. Segundo, porque não retira essas emendas apresentadas por esses vereadores do amém e do assim seja, e coloca no orçamento da cultura? Assim seria melhor, porque somente uma Câmara de Vereadores fraca é que não ver isso no orçamento, pois parece que quer o povo sem cultura para não ver a incompetência própria dos nobres Edis.

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