Por Genaldo de Melo
Numa democracia o direito de
fazer e de dizer o que quiser é garantido pelas prerrogativas constitucionais,
desde que com isso se respeite exatamente a própria constituição que garante
essa liberdade de expressão. Não se pode de conformidade com a condição
constitucional quando se perde uma eleição querer rasgar a Carta Magna para
poder contrariá-la. Está fora de contexto no Brasil fazer manifestação e
mobilização pública defendendo teses de dividir o Brasil e defender a volta de
governos de natureza militar.
Falo aqui das recentes
manifestações que aconteceram em São Paulo e Brasília, quando algumas pessoas,
que segundo o recado das urnas, não conseguiram convencer a maioria dos
brasileiros cidadãos com direito ao voto, que era melhor para o país a volta do
projeto da social-democracia de experiência passada, e defenderam abertamente a
transformação do Estado de São Paulo em República, e fizeram também a defesa
intransigente de um novo golpe militar no país para estabelecer segundo os
mesmos a “Ordem e o Progresso.
A primeira idéia deles
caracteriza-se pelo absurdo do tema. Primeiro porque nem toda população
paulista defende essa tese, pois a maioria da mesma é civilizada, inteligente e
sabe muito bem que o Brasil é a nação mais bonita do mundo exatamente por sua
diversidade sociocultural e regiões distintas que se respeitam. Segundo e ainda
mais consistente premissa contra esse argumento torto, é que mesmo os paulistas
reconhecendo nas urnas o Governo de Geraldo Alckimin, ambos os candidatos à
Presidência da República, Aécio Neves e Dilma Rousseff, tiveram votos no
principal Estado do país. Toda unanimidade é burra com dizia Nelson Rodrigues,
e como comprova a história da Alemanha de Hitler.
A segunda idéia dos
manifestantes é mais absurda ainda. Imagine se eles fossem americanos e
fizessem em Nova York manifestação pública contra a reeleição de Barack Obama,
defendendo que os militares de lá assumissem o país. Naturalmente que já
estariam a esta altura nas masmorras. Pois a Constituição de um país está acima
da opinião pessoal de qualquer um, de qualquer Força Armada, e inclusive acima
das diversidades regionais da cada nação. Parece-me que essas pessoas que foram
as ruas em São Paulo e Brasília para defender essa tese não compreenderam de
fato ainda o significado da história da Ditadura Militar no país, ou então
acham que todos os documentários a respeito da mesma que passam o tempo todo nas
televisões brasileiras servem somente para alguns produtores culturais ganharem
uma graninha extra.
Ora, em vez de fazer
tamanhos absurdos essas pessoas deveriam em primeiro lugar respeitar os
paulistas e o resto do país, melhor dizendo deveriam respeitar a bandeira do
país em que vivem. Em segundo lugar elas deveriam de fato estudar mais um pouco
para ajudar o país na construção da unidade nacional em qualquer circunstância
e em qualquer Governo eleito pela maioria do povo, pois isso sim é democracia
no sentido mais literal da palavra.
Dialogando com as
estatísticas cheguei à conclusão infalível que não foram apenas os nordestinos
que elegeram Dilma Rousseff no último pleito eleitoral para tamanho absurdos
dessa turma sem juizo. A mesma teve votos em todos os Estados do Brasil, e eu
espero que ela faça um melhor Governo, pois não é ela que está em jogo, é o meu
país, o Brasil brasileiro!
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