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O desafio para bestializar o povo brasileiro agora como fato não garantido

Por Genaldo de Melo
Uma sociedade para ser considerada sadia do ponto de vista sociológico deve pautar seus valores e princípios na harmonia, no atendimento à ordem estabelecida por determinadas leis, e deve sempre se pautar pelo princípio democrático do permanente debate em torno de idéias diversas. Uma sociedade em que a ordem deve ser quebrada porque as leis que existem estão em função apenas de uma parcela da mesma, mesmo que seja parte substancial de sua população, não pode jamais ser considerada harmônica do ponto de vista sociológico.

O Brasil dos últimos quatros anos ainda deve ser bastante estudado em futuro não muito distante, em função de que parcela substancial de sua sociedade não concorda mais que as interpretações unilaterais das leis que determinam seu funcionamento, estejam apenas em função de uma pequena minoria em detrimento da grande maioria.

Quando não se concorda com o que está sendo estabelecido de forma não democrática por uma pequena minoria, é um dever moral e político que a grande maioria se rebele de forma sadia e harmônica, respeitando as próprias entranhas das leis. Mas que se rebele, porque nos regimes democráticos todos sabem que se deve governar sempre com uma minoria, mas não que sejam governos que não governem para a maioria, mas simplesmente para a própria minoria que governa.

Dizer quer a sociedade não pode se mobilizar e se rebelar em função de que não concorda que apenas uma pequena minoria da sociedade (mercado, judiciário, e mídia) queira decidir que o próximo governo brasileiro não deve ser o que o povo quer, conforme todas as pesquisas eleitorais até então, na verdade não passa de uma grande falácia (é um distúrbio sociológico). Uma pequena minoria que não mais consegue governar através das urnas, não pode e jamais deve, achar que vai conseguir impor suas decisões, exatamente num tempo pleno e democrático de informações e de plenos direitos socialmente conscientes, e que o povo que se dane!

Está ficando mais do que diáfano o discurso permanente da imprensa tradicional e comercial brasileira, aliada ao establishment de uma pequena minoria conservadora dona dos poucos meios de produção no país, e principalmente os responsáveis pelo capital especulativo que não enriquece nação nenhuma, de que não se quer nenhum candidato à presidente do Brasil nas urnas do próximo outubro, que não contribua com o retorno de uma população formada por personagens, como iguais aqueles historicamente anônimos de “Os Bestializados”, bem descrito por José Murilo do Carvalho.

A minoria não quer Lula, porque Lula representa a maioria do povo brasileiro como um todo e não apenas uma minoria, prova disso é que já se arranjaram verídicas provas para todos os que estão sendo presos pelo discurso parcial de combate à corrupção, e contra Lula existem apenas argumentos pautados em convicções e delações de gente que não apresenta provas, mas quer sair das chaves que estão nos bolsos de Sérgio Moro. Mesmo compreendendo que moralismo e juridicismo são vertentes ideológicas de uma pequena minoria conservadora, vai ficar muito difícil numa sociedade moderna, em que as informações que antes eram escondidas e para poucos, a minoria conseguir governar apenas para si mesma.

Sem conseguir com argumentos lógicos e coerentes de que estão certos do que propõem para o Brasil, os membros dessa “superioridade bem informada”, na terminologia de Adorno e Horkheimer, querem agora partir para a brutalidade, a grosseria e a utilização da força no seu sentido mais literal da palavra, não querendo nenhum tipo de diálogo e de debate, e se esquecendo de que o que estão construindo, como raças superiores que pensam que são, são conflitos sociais que não poderão ser comparados mais com a famosa “Revolta da Vacina", bem descrito na obra-prima de José Murilo de Carvalho, porque o povo de hoje pode até aceitar de bom grado ser bestializado, mas não sem a existência das prerrogativas democráticas estabelecidas pelas urnas do outubro próximo.

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