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Juízes podem fazer greve por auxílio-moradia de mais de quatro salários mínimos

Por Genaldo de Melo
O escritor sergipano Ariosvaldo Figueiredo escreveu certa vez que “moralismo e juridicismo são vertentes ideológicas de uma pequena minoria conservadora”. Frase que nunca esteve tão atual como nos dias em que vivemos, onde quem deveria zelar pela moral e pelos bons costumes é quem mais envergonha o resto da sociedade.

Não se pode dizer que todos os juízes brasileiros se enquadram no papel de ativistas judiciais, mas que a grande parcela destes, desde que a parcela da população que se enquadra no conceito de Adorno de superioridade bem informada não concordou mais com os resultados das urnas, está deixando de ser os guardiões da lei para serem políticos no sentido mais literal da palavra.

Estes são de fato os conservadores mais exigentes como descreveu em suas sábias palavras o grande intelectual sergipano. Mas agora estes que se acham acima das convenções sociais estão passando dos limites, moralmente falando.

Quando trabalhadores que labutam o mês inteiro para ganhar menos do que mil reais se mobilizam em uma greve por mais direitos são chamados de vagabundos, e são condenados em muitos casos a pagarem indenizações diárias por dias paralisados, junto com suas organizações, pelos próprios juízes guardiões da ordem jurídica.

Mas quando juízes são acusados de falta de moral por receber mais de quatro salários mínimos de auxílio-moradia, sem precisar deste porque tem imóveis, e resolvem que vão fazer uma paralisação (uma greve) para não perder esse privilégio, ficam alguns beócios dizendo que eles são os "porretas" da sociedade, que podem sim, eles mesmos fazerem greve!

Que sociedade é essa mesmo que poucos homens, mesmo que tenham anos de esforços e estudos, ganham mais de trinta salários mínimos, e ainda assim, o próprio povo deve pagar impostos para pagar a moradia desses semideuses? Isso é o distúrbio da ordem, é a treva jurídica!

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