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Euro: a Holanda no coro dos contrários

O Partido Socialista vem crescendo de modo espetacular nas intenções de voto na Holanda, que realiza eleições parlamentares dia 12 de setembro. Se a votação fosse hoje, ele conquistaria 30 das 150 cadeiras, ou seja, 20%, o suficiente para tirar o sono da hegemonia pró-“austeridade” vigente hoje na Zona do Euro e na União Européia.

No próximo dia 12 de setembro há eleições parlamentares na Holanda. 150 cadeiras da Assembléia Nacional estarão em jogo. Quem vem crescendo de modo espetacular nas intenções de voto, para animação “nossa”, e inquietação “deles”, é o Partido Socialista, até então considerado radical de esquerda, e fora do jogo parlamentar. Se a votação fosse hoje, ele conquistaria 30 das 150 cadeiras, ou seja, 20%. Isso, em termos eleitorais na Holanda, é muito voto. O suficiente para tirar o sono da hegemonia pró-“austeridade” vigente hoje na Zona do Euro e na União Européia.

A Holanda é uma parceira tradicional, junto com a Finlândia, da linha dura do Banco Central Alemão e da chanceler Ângela Merkel. Entretanto, se dependesse do PS e de seu líder, Emile Roemer, a Holanda abandonaria essa linha dura, recusando-se a endossar cortes de investimentos sociais.

Não só isso: iria para o espaço a proposta de prolongar o tempo de aposentadoria de 65 para 67 anos, bem como o de trazer já no ano que vem o déficit da relação PIB/dívida pública para 3%.

Pode ser que, mesmo sendo o partido com mais votos, o PS não consiga formar, ou sequer integrar o novo governo. Isso aconteceria se os partidos do “centrão” holandês conseguissem se unir para impedir que esse novo personagem político se firmasse como representante de seu povo. Mas a mensagem é clara: o descontentamento na Holanda com as políticas de Bruxelas, o rebaixamento de salários e pensões, e a fala de políticas sociais cresce. E cresce à esquerda.

Isso é novidade. Porque antes essa insatisfação jogava água no moinho da direita, mais precisamente, no Partido da Liberdade, de Geert Wilders, de longe o político de extrema-direita mais influente na Europa. Mais do que Marine Le Pen.

Seu partido tem 24 cadeiras no parlamento, mais cairia para 18. Em parte essa queda se deve a uma tragédia fortuita. Um cidadão turco de 64 anos, na cidade de Almelo, envolveu-se numa áspera discussão com seus vizinhos, num bairro de trabalhadores. Os vizinhos, holandeses “da gema” agrediram o “estrangeiro”. O homem empurrou-o, ele caiu, e no chão foi alvo de impropérios e insultos que a mulher lhe dirigiu. Ocorre que ele bateu a cabeça, perdeu a consciência, entrou em coma, e dez dias depois morreu de hemorragia cerebral.

Foi uma comoção nacional, intensificada pelo fato de que os agressores chamavam-se Henk e Ingrid. São nomes comuns na Holanda. Porém eram os nomes de dois personagens – até então fictícios – criados pela propaganda xenófoba de Wilders e seu partido, e cantados em prosa e verso na mídia. O mote da campanha era “Henk e Ingrid não agüentam mais sustentar Ali e Fatima”.

O problema é que o Henk e a Ingrid reais agrediram e provocaram a morte de alguém também real. Wilders tirou a campanha do ar. Mas tarde demais.
É possível até que alguns dos votos que antes iriam para o partido de Wilders tenham migrado para o de Roemer. Wilders também é crítico da UE, do euro, e dos pacotes de “ajuda” à Grécia e outros países, certamente por razões diferentes da de Roemer. Mas a diferença entre eles é gritante: enquanto Wilders se baseia na exclusão, o mote da campanha no PS é “Há o suficiente [na Holanda] para todos”.

Esperemos que sim. A ver no dia 12.

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