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A verdade que meu primo não quer enxergar

Por Genaldo de Melo
 
Um partido político sobrevive naturalmente de idéias e números. Um partido político que não possui um programa estruturado de idéias de mudança de paradigma da sociedade vigente, ou seja, que não tem projeto de poder não pode ser considerado um partido político. No mínimo deve ser considerado como uma organização não-governamental que tem apenas um estatuto dentro de uma gaveta. No máximo pode ser considerado até mesmo como um instrumento para servir para canalhices de poucos homens viciados em poder e dinheiro.

Um partido político que pensa apenas em idéias, mas não possui números é apenas uma agremiação de homens e mulheres que podem até terem boas idéias, mas elas em si não conseguem convencer ninguém. Então desse modo, também não pode ser considerado como verdadeiro partido, porque essas idéias podem muito bem apenas servirem para bibliotecas aonde ninguém ler, ou mesmo servirem para espaços de discussões vazias de quem tem estabilidade econômica, em mesa de bar.

Ao partido que quer ser instrumento de práticas políticas e de poder cabe necessariamente a formulação de estratégias e processos práticos de construção de números e estatísticas eleitorais. Todos aqueles que conhecem ou vivem no mundo político sabem muito bem que idéias políticas (e administrativas) são colocadas em prática somente quando se vence disputas eleitorais com maior número de votos.

Então quem está incumbido de consolidar a imagem prática de seu partido político deve ler realmente as cartilhas obrigatórias, construir idéias estruturadas em programa de partido, mas colocar na prática as idéias inconcebíveis de convencer as multidões de que as mesmas devem ser colocadas em prática nos parlamentos e nos executivos, em todos os níveis.

Não adianta de nada a riqueza do discurso com tamanha pobreza de capital eleitoral! Reiteradas vezes vemos pessoas que em dezenas de anos dirigem máquinas partidárias, principalmente em nível municipal, que nunca chegam a lugar nenhum, inclusive não conseguem ao menos imprimir a marca de uma cadeira em câmara de vereadores.

Então para que servem esses homens e essas mulheres que muitas das vezes estão atrelados a interesses de indivíduos mais espertos, que nunca conseguem construir capital eleitoral e ainda atrapalham os verdadeiros líderes do povo?

Ser dirigente partidário apenas por status é imbecilidade! Que a carapuça caia, meu Primo!

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