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O revolucionário movimento de "militontos" anuncia que quer endireitar o Brasil

Por Genaldo de Melo
Nenhum movimento ou mobilização social nasce sem que algum tipo de apoio financeiro ou material possa existir. O chamado Movimento Brasil Livre (MBL) nasceu do mesmo modo, porém o que não se sabe na sociedade é quem de fato concretamente financiou um movimento de jovens com um discurso liberal contra apenas uma força política, que representa em seu bojo um projeto político de sociedade, mesmo que de projeto de sociedade o Movimento em si não entenda nada. Mas como ninguém tem resistência à raciocínio sabe-se que foi financiado por setores que queriam o fim do petismo.

Mas nasceu com um discurso afinado de que não participaria de nenhum partido político, mas com a absoluta e doentia obsessão contra Lula, o PT e os seus três governos que de fato foram para pobres e ricos. Passado o tempo os membros do MBL retiraram suas máscaras e foram participar das urnas exatamente em partidos da direita brasileira. Ainda não se sabe se eles vão compreender o que é ser representante político em parlamentos ou se vão ser manipulados pelas raposas que os financiaram. Mas aí tudo bem, porque necessariamente todo movimento pela sua própria natureza acaba partícipe do mundo político. O que causa estranheza são suas posturas estranhas e contra a liberdade de manifestação dos outros.

Nesse último final de semana fizeram um Congresso de seus membros para colocarem no papel suas teses e suas posturas a partir de agora. A imprensa tinha apresentado que o Movimento não tinha captado os recursos necessários para fazer o Congresso, mas ele levou para participar gente de peso da sociedade brasileira. Entre os palestrantes, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, o Ministro da Educação, Mendonça Filho, o deputado e relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), o prefeito eleito de São Paulo, João Dória Junior (PSDB), a professora da Faculdade de Direito da USP Janaína Paschoal e subcelebridades afinadas com o antipetismo, como o apresentador Danilo Gentili, além de expoentes do MBL, como Kim Kataguiri e Fernando Holiday, eleito vereador na cidade de São Paulo pelo DEM.

Decisão para um movimento que se diz social correta fazer um Congresso e formular teses e resoluções para a prática. Porém três propostas é que são estranhas, porque não parece ser de um movimento que se coloca como mobilizador de forças sociais da sociedade brasileira, mas um movimento para partir para a briga apenas representando interesses da direita e dos partidos políticos da direita brasileira e do governo “ilegítimo” de Michel Temer.

A primeira e provavelmente a mais absurda proposta para o contexto é querer partir para a “porrada” mesmo, contra os estudantes que ocupam em torno de 640 escolas e campi de universidades brasileiras. Uma proposta dessa natureza não é coisa de movimento social, é coisa de aparelho de políticos que não sabem nem conversar e nem negociar, então a saída é o conflito. Movimento que representa apelos sociais e por direitos briga é com aparelhos governamentais, empresas e instituições que oprimem, e que cumpre aquilo que seus partícipes desejam.

Outra proposta que cheira a coisa que não representa nada que se possa dizer que é coisa de movimento é defender obsessivamente o fim da contribuição sindical para enfraquecer os sindicatos que representam exatamente quem os movimentos sociais mais defendem que são os trabalhadores, somente com o discurso de que os sindicatos apoiam o PT. É uma tese um pouco "torta" acabar com os sindicatos, com o discurso do pensamento único, e não merece muita credibilidade do povo além da classe média alta que na frente com o que se vislumbra vão se arrepender, e muito.

Agora o mais absurdo do congresso do MBL foi o discurso do seu garoto propaganda, Kim Kataguiri. Segundo sua tese a política deve ser criminalizada, porém apenas ao campo da esquerda, pois tudo que for da direita liberal é apropriado. Ou seja, o MBL como movimento social que se diz, defende que a esquerda brasileira deve ser criminalizada, ser considerada coisa de bandido, e a direita ser ovacionada porque é somente disso que o Brasil precisa. Com esses discursos eles se apropriam da palavra “movimento” que em seu próprio conceito já diz que respeita em si a diversidade de pensamento e não o pensamento único. É esse o Brasil que querem, sem controvérsias!

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