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Vida longa à FETAG-BA!

Por Genaldo de Melo
Hoje 1º de setembro a FETAG-BA completa 54 anos de existência, resultado de muito trabalho, de muita luta e de muitas vitórias em favor dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da Bahia. Esta entidade madura, entretanto, tem suas raízes ainda nos anos 30 do século passado quando Joaquim Cunha Filho fundou o primeiro sindicato de trabalhadores/as rurais do Brasil, em Pirangi, Distrito de Ilhéus, hoje município de Itajuípe, Sul do Estado da Bahia.

Este sindicato viria a ser fechado por Getúlio Vargas em 1937 como resultado de uma política repressiva contra os movimentos de lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores no Brasil naquela época. A repressão que se seguiu não impediu que militantes do Movimento Social continuassem suas inserções pelo Sul do Estado da Bahia, na reorganização do movimento sindical rural. Merece destaque os bravos Carlos Friederick, Arlindo Ambrósio, Nelson Schauen, Humberto Vita e Dilermano Pinto Souza.

Não demora muito, e em 1952 é fundado o Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Ilhéus e Itabuna. O movimento dos trabalhadores/as contra a exploração nas fazendas de cacau leva a criação da União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil em 1954, e em 1956 acontece a Conferência Sul-Baiana de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas.

Em 1961 é fundada a FALTAB (Federação das Associações de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas da Bahia). Um ano depois, em Salvador, realiza-se a primeira Conferência de Lavradores e Trabalhadores da Bahia. Nesse ínterim, em 13 de maio de 1962, realiza-se em Itabuna o Congresso dos Trabalhadores Rurais, reunindo delegações de vários municípios da Bahia e também de outros Estados. Ainda nesse ano surge a Liga Camponesa de Camacã e a Associação dos Trabalhadores Agrícolas de Camacã.

Depois de muita luta e resistência, e um trabalho organizativo dos trabalhadores rurais reunidos em torno de suas lideranças, em 1º de setembro de 1963 é fundada a FETAG-BA, tendo à frente Arlindo Ambrósio, Carlos Friederick e Domingos Ferreira. Em dezembro de 1963 é fundada a CONTAG. Após o golpe de 1964, pelos motivos históricos que todos conhecem, a FETAG-BA passa por momentos difíceis, com a intervenção dos militares, que dividiu os trabalhadores.

Assim somente em 1987 é que acontece o primeiro congresso eleitoral. O período ainda é conturbado. A entidade passa por 08 anos de problemas e se afunda em dívidas. Só em 1995, após o terceiro congresso eleitoral, é que a entidade começa a ganhar novos rumos. De lá para cá a Entidade se transforma, tornando-se a maior Federação dos trabalhadores rurais do Brasil, com mais de 400 sindicatos filiados.

Em 2002 consolidada na Bahia e respeitada em todo o Brasil, a FETAG-BA se estruturou para dar saltos maiores e viver aquele novo momento da vida política do País, com um trabalhador, ex-sindicalista, na Presidência da República. Tempo para escrever novos capítulos nessa história tão rica.

Também a partir de 2002 começou-se um trabalho de construção de parcerias com organizações governamentais e não - governamentais, fato que demandou um trabalho mais planejado em torno do fortalecimento da Agricultura Familiar e da viabilização da Reforma Agrária. Com isso, diversas ações sistemáticas foram implementadas no sentido de formar capital social e humano, buscando com isso o tão sonhado conceito de Desenvolvimento Rural Sustentável na prática.

A FETAG-BA, desde sua fundação desenvolveu um trabalho de acompanhamento e orientação política aos trabalhadores/as rurais, no sentido de fortalecer os processos capazes de criar as condições necessárias para melhorar a vida do homem e da mulher do campo, bem como consolidar um modelo de desenvolvimento capaz de impulsionar o crescimento social e econômico nos espaços menos densamente povoados, caracterizados pela economia de base familiar.

Em todos esses anos de sua existência, a FETAG-BA teve experiências que ficaram consolidadas para servir de exemplo para as organizações governamentais e não-governamentais, movimentos sociais e sindicais, ações que fomentaram a Agricultura Familiar como eixo principal para gerar emprego e renda no campo. Essas ações estratégicas formaram a história da organização dos trabalhadores/as rurais, tanto do ponto de vista político como do ponto de institucional, e do mesmo modo, contribuiu para que a FETAG-BA se consolidasse como uma entidade capaz de enfrentar os mais adversos momentos da história, principalmente preparada para enfrentar os golpes diários contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais da Bahia.

Vida longa à FETAG-BA!

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