Pular para o conteúdo principal

Annan propõe governo de transição na Síria

Editorial do Vermelho


Uma nova proposta de intervenção das potências imperialistas na Síria está sendo gestada e vai ser debatida na reunião que ocorrerá sábado (30) em Genebra (Suíça), com a presença dos países do chamado Grupo de Ação para a Síria (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e países da região).

A proposta foi elaborada pelo ex-secretário geral da ONU e enviado especial da organização e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. Ela prevê a formação de um chamado governo de salvação nacional, composto por representantes do governo e da oposição. E, embora não se refira diretamente ao presidente Bashar Al-Assad, a proposta alimenta a expectativa de que ele aceite renunciar, abrindo caminho para um novo poder no país, adequado aos ditames das potências imperialistas.

A proposta de Annan surge no momento em que esmorecem as tentativas de intervenção da Otan na Síria, barradas pela oposição da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU, e também de aumento da tensão militar na região, depois da derrubada de um caça da aviação turca que invadiu o espaço aéreo sírio. Na quarta-feira (27), pela primeira vez, o governo de Assad admitiu que seu país vive uma situação de guerra, um reconhecimento que é, também, um obstáculo a uma intervenção da Otan, capitaneada pelos EUA e pela União Europeia pois, numa situação de beligerância, dificultaria a legitimação de uma interferência externa a favor de um dos lados do conflito e, principalmente, contra o governo legal e constitucional do país conflagrado.

Embora a proposta de Annan tenha o apoio de potências do Conselho de Segurança da ONU – como EUA, França e Reino Unido – ela se defronta com dois fortes obstáculos. O primeiro é diplomático: o governo da Rússia já manifestou veemente e reiterada oposição a qualquer interferência externa na Síria. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, foi claro: Moscou não aceitará imposições estrangeiras à Síria. "Não apoiamos e não poderemos apoiar qualquer ingerência externa", disse ele, insistindo em que cabe ao povo sírio e a todos os grupos da oposição decidir sobre o destino de seu país e o início de um período de transição.

O outro obstáculo é interno: um dos principais grupos de oposição, o Conselho Nacional Sírio, só aceitaria participar de um governo de transição se Assad se afastar do poder. Se a proposta não incluir claramente a renúncia de Assad, ela "será inaceitável para nós", disse Samir Nashar, dirigente deste grupo da oposição. Outros grupos querem mais. Um miliciano do Exército Sírio Livre (ESL) condenou a proposta: “é uma nova tolice que nos percamos e barganhemos sobre quem pode ou não participar". Outro miliciano, na periferia de Damasco, foi mais claro: “Não queremos um governo transitório a não ser que seja formado por conselhos militares rebeldes."

O plano de Annan é mais uma proposta que atende aos interesses e aos ditames das potências imperialistas e afronta a soberania nacional síria. É uma forma de tergiversar pois escamoteia a cada vez mais reconhecida interferência das potências imperialistas, que armam e financiam milícias da oposição ao governo de Assad, apresentando-as ao mundo como uma espécie de “lutadores pela liberdade”. Não são: multiplicam-se as evidências de que são esquadrões da morte que agem para criar situações de clamor difundidas mundo afora pela mídia a serviço do imperialismo com o objetivo de legitimar perante a opinião pública mundial a intervenção estrangeira na Síria.

As condições para a paz nesta nação estratégica do Oriente Médio estão dadas e precisam ser reconhecidas: o fim da violência, o fim do financiamento e apoio estrangeiros aos esquadrões da morte ocultos sob o rótulo de “oposição” e a abertura de negociações soberanas entre o governo sírio e as forças políticas de oposição para o início de uma nova etapa no país.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FRAQUEZA E AS DOENÇAS DE UM LÍDER PEQUENO

Por Genaldo de Melo O líder político deve ser sempre o mais forte, moral e espiritualmente, do grupo que lidera, ou pelo menos parecer ser. Fraqueza é a premissa mais incoerente que existe na natureza de quem  deseja liderar politicamente um povo. Apenas no extremismo político a fraqueza pode ser considerada coisa boa, porque um fanático não enxerga tal coisa como negativa. Apenas os apedeutas do extremismo são verdadeiros analfabetos políticos. Como compreender o ex-presidente que sempre arrotou valentia, vomitava intolerância, violência e ódio continuar com tantos seguidores demonstrando fraqueza e se vitimizando o tempo todo quando a coisa aperta para ele? Não o considero líder de nada, apenas de oligofrênicos! O homem foi condenado a ficar fechado na cadeia a mais de vinte sete anos por crimes que evidentemente cometeu, conforme o Código Penal e a Constituição Federal, e fica todo dia inventando coisas para voltar para casa para voltar a encrencar e infernizar a vida do povo br...

LITERATURA

 

FHC sobre Cunha: “Se tivesse um pouco mais de visão de Brasil, ele renunciaria”

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta segunda-feira (23) o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e afirmou que, se o peemedebista “tivesse um pouco mais de visão de Brasil, ele renunciaria”. Em seguida, FHC disse que Cunha “vai ter de ser renunciado”.  A afirmação foi dada durante entrevista após um seminário sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade realizado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), em São Paulo.  “A minha posição é clara. Eu já disse há muito tempo que eu achava isso. O presidente da Câmara não tem mais condições morais e nem políticas de continuar exercendo o cargo. Se ele tivesse um pouco mais de visão de Brasil, ele renunciaria. Não tendo, vai ter de ser renunciado”, afirmou o ex-presidente após ser questionado sobre a situação de Cunha.  O presidente da Câmara responde a processo de cassação no Conselho de Ética da Casa, acusado de ter mentido quando afirmou em depoimento à CPI da Petrobras que nã...