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Cerne da corrupção

Por Genaldo de Melo
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Discutir o combate à corrupção no Brasil virou proselitismo nos tempos recente, mas com o discurso meio torto de que a mesma é produto apenas dos agentes do Estado, e não dos agentes do mercado. Mas afinal de contas quem é que mais produz a corrupção, políticos e funcionários públicos ou donos das grandes empresas que mais ganham dinheiro com licitações das obras públicas no país? Pelos prognósticos esse discurso de que a corrupção é resultado apenas de funcionários públicos, cargos comissionados e políticos de carreira não se fundamenta, quando dialogamos melhor com uma das maiores operações investigativas da corrupção no Brasil, a Lava Jato.

Quem tem juízo sabe muito bem que quem mais produz a corrupção nesse país são exatamente os agentes do mercado, que financiam campanhas eleitorais, principalmente de deputados federais e senadores, para que tenham sempre força política para ganhar as grandes licitações das grandes obras. Ou alguém é inocente para não observar que a famosa Lava Jato vem desnudando o mito de que rico não é preso, e exatamente os responsáveis pelas grandes obras da estatal Petrobrás?

Prova disso é que até meados de dezembro de 2015 mais de 150 inquéritos de corrupção já tinham sido abertos pela Polícia Federal exatamente contra empresas prestadoras de serviços ao Estado brasileiro. A vida de 494 empresas está sendo vasculhada, enquanto apenas 56 políticos estão na mesma situação; 941 procedimentos foram instaurados, com 360 buscas, 88 mandatos de condução coercitiva e 116 mandatos de prisão cumpridos, sendo 61 prisões preventivas e 55 temporárias.

Em primeira instância foram solicitados 86 pedidos de cooperação internacional, sendo 76 pedidos ativos para 28 países e 9 pedidos passivos para 8 países; foram firmados 85 pedidos de delação premiada, por pessoas físicas, sendo que 25 estavam soltas; 4 acordos de leniência com empresas já foram concretizados; 173 pessoas em 35 processos responderam pelos crimes de corrupção contra o sistema financeiro internacional, tráfico internacional de drogas, formação e organização criminosa e lavagem de ativos, dentre outros; cinco das acusações foram por improbidade administrativa contra 24 pessoas físicas envolvendo 13 empresas, pedindo-se o ressarcimento de R$ 14,5 bilhões.

Segundo o Ministério Público Federal, os crimes já denunciados envolvem o pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões; R$ 1,8 bilhão já foi recuperado por acordos de colaboração; R$ 654 milhões se relacionam com o instituto da repatriação; R$ 2,4 bilhões em bens de réus já foram bloqueados.

Até esse momento já são 75 condenações, contabilizando 262 anos, 5 meses e 15 dias de pena. 28 inquéritos foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, contra autoridades que contam com foro privilegiado. Tendo em vista as imunidades e prerrogativas dos políticos, não há dúvida que até aqui, muito mais agentes do mercado (mundo empresarial e financeiro) foram investigados, presos, processados e condenados.

Diante de todo esse quadro dantesco como ter dúvidas de que a origem da corrupção está exatamente em quem tem interesse de abocanhar o dinheiro do Estado, que são exatamente as empresas privadas? É preciso ter muita resistência à raciocínio para não compreender que os salários de deputados federais é de R$ 33 mil, e eles não assinam cheques de suas riquezas para financiar uma campanha eleitoral, em que a mais pobre pode chegar perto dos R$ 5 milhões no Brasil.

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