Por Genaldo de Melo
Todo governo precisa de alguém para assumir as
determinadas posições que são impopulares, como sempre ensinou o homem de
Florença, pois assim, e somente assim, ele pode dizer algumas verdades que
ditas por seu representante maior, rei, príncipe ou presidente, como em nosso
caso, causaria pavor, comoção, raiva ou ódio político. Nenhum homem ou mulher
que na condição de chefe de Estado pode governar ou tomar decisões apenas
sozinhos, pois isso seria não um governo de uma democracia, mas um governo de
estado totalitário. Não poderia ser diferente com o governo de Dilma Rousseff,
por isso que existe Jacques Wagner.
Talvez um dos maiores erros recentes da presidente
Dilma Rousseff no quesito política foi ter colocado na posição principal de ministro
político um sujeito estranho e avesso ao diálogo com pares e aliados, como Aluizio
Mercadante. No principal posto político do governo deve-se obrigatoriamente ter
um indivíduo que tenha a capacidade de dialogar com pares e aliados, avançar em
determinados temas e recuar em outros, assumir tudo aquilo que deve ser
naturalmente ruim para os poucos e bons para os muitos, e também ter a condição
e independência de dizer o discurso certo na hora certa em nome do governo, e
esse nome acertadamente nesse momento é Jacques Wagner.
Agora o que causou estranheza não somente em
formadores de opinião que apoiam esse governo, bem como em vários setores da
sociedade brasileira foi a postura de alguns petistas em censurarem o ministro
da Casa Civil quando o mesmo assumiu a carapuça tanto do governo quanto de seu
partido de que houveram erros de ambas as partes. Parece que alguns indivíduos,
porque pelo visto não foi opinião contra Wagner da agremiação partidária, não
entenderam ainda que o governo não é formado apenas pelo PT, mas pelo conjunto
de partidos que participaram da vitória de Dilma Rousseff, e que continuam
governando junto com ela.
O que Wagner disse reveste-se de verdades que
alguns não querem assumir ou que têm medo de que a sociedade e a opinião pública
possa apelar para a guilhotina. Não adianta, ou se assume a postura política como
Wagner fez, lógico que pode ser que amanhã ele possa está errado, ou então que
deixe que as revistas Veja e Época, e a Globo forme opinião ao seu modo junto à
própria Opinião Pública. É bom que alguns indivíduos entendam logo antes do
amanhecer dos dias que é melhor assumir a postura de formar opinião do que ser engolido
por ela.
Wagner somente disse que alguns indivíduos do
partido que ele pertence se lambuzaram do poder quando este bateu a sua porta,
e que o grande erro foi não ter feito a reforma política que este país precisa
no momento que teve a oportunidade certa. Dizer que alguns indivíduos do PT não
erraram é o mesmo que dizer que embaixo da ponte não passam águas. Não existe
pureza na política, pureza somente no céu, ou como vem trabalhando o Jornalismo
da Obediência de que pureza somente existe em Minas Gerais e em São Paulo.
Em relação a reforma política que a sociedade
vem clamando a muitos e muitos anos, realmente foi o grande erro de quem teve
as condições de articular sua construção mas preferiu negociar apenas para
ficar sendo o dono da casa. E nisso absolutamente o ministro da Casa Civil está
completamente imbuído da verdade dos fatos. E somente quem tem autoridade para
dizer isso é que deve e pode dizer, tanto para a opinião pública como para a
sociedade que sempre clamou por isso. E Dilma deve respeitar seu ministro que
tem a coragem de dizer a verdade, e não a alguns indivíduos que acham que são
donos de seu próprio partido ou do próprio governo.
Deixem Wagner trabalhar, que é melhor para
todos, inclusive para o Brasil!
Comentários
Postar um comentário