Por Genaldo de Melo

Dizem os adversários do senador goiano
Ronaldo Caiado (DEM) que ele parece uma voz a procura de um cérebro. Mas o
que mais tem espantado todo mundo é a sua recente retórica em defesa do
respeito à democracia às portas do golpe institucional contra a Presidente
Dilma Rousseff, que "democraticamente" foi eleita com 54 milhões de votos, e que
ele mesmo se coloca como um dos mais violentos defensores da sua saída. Mas a história dele e
de sua família não combina em nada com a palavra democracia, quando os
interesses econômicos estão em jogo.
Ele enche a boca para falar de democracia,
mas é sobrinho do pecuarista Antonio Ramos Caiado Filho, que está na relação chamada
“lista suja” com empregadores flagrados por prática de trabalho escravo pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em abril de 2013, os fiscais do MTE em visita
“in loco”, depois de denúncias anônimas, na fazenda do tio de Caiado, em Nova
Crixás (GO) reduto eleitoral da família flagrou trabalhadores em condições degradantes
análogas à escravidão, na produção de carvão. Os trabalhadores resgatados pelo MTE
afirmaram que foram obrigados a trabalhar em jornadas de 19 horas por dia. Foi constatado
que os trabalhadores produziam carvão em 12 fornos, sem equipamentos de
proteção, como máscaras e luvas, vestindo apenas chinelo e bermudas, em contato
direto com o pó e a fumaça produzida pelo carvão.
Segundo o relatório do MTE, os trabalhadores
que também residiam no local, eram alojados em condições precárias, dormindo em
camas improvisadas e “cobertores imundos”. Os barracos, usados como moradia,
eram construídos de placas de cimento e telhas de amianto, localizados ao lado
das carvoarias: “situação que somada ao forte calor da região (36ºC), e a falta
de ventilação no local, deixava quase insuportável a permanência dos
trabalhadores”.
Bom moço o senador Ronaldo Caiado (DEM/GO)
para falar de democracia com um histórico familiar desses! Quando deputado
federal em 2012, o parlamentar foi um dos 29 deputados que votaram contra a PEC
do Trabalho Escravo, e tem se pronunciado em favor da mudança da definição de
escravidão contemporânea na lei brasileira. Hoje esse crime está previsto no
Artigo 149 do Código Penal, que inclui a caracterização de escravidão por
condições degradantes e trabalhos exaustivos.
Para um senador que tanto fala de democracia,
e literalmente é adepto familiar do chamado trabalho escravo no Brasil, estas
são as credenciais de “democrata” de Ronaldo Caiado, direitista da mais podre
natureza, golpista e aliado de Cunha e Temer na destruição dos direitos
elementares e básicos dos trabalhadores brasileiros e da própria democracia,
usando o exemplo de sua família em Goiás.
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