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Vereador de Feira de Santana quer proibir o povo de ver obras de artes

Por Genaldo de Melo
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Desde que imbuído de plenas faculdades mentais passei a enxergar o mundo como ele realmente é, que tenho certeza que na sociedade e na convivência como os outros homens e mulheres devemos obrigatoriamente obedecer a determinadas convenções escritas e outras não escritas, mas que devem necessariamente serem observadas para que tenhamos harmonia na sociedade propriamente dita.

Mesmo compreendendo que mesmo que tenhamos que obedecer as regras em sociedade, existem coisas que necessariamente são escolhas que são "necessariamente" pessoais. A liberdade de ser e fazer o que quiser desde que se respeite as regras que são estabelecidas e aceitas por todos, é um direito fundamental de todo e qualquer ser humano. Mas em Feira de Santana tem gente que não pensa assim.

Há algum tempo que venho dizendo que a maioria de nosso povo precisa ser politizado e não despolitizado, como defende gente que quer escravos e não seres humanos livres para compreender o que deve ser obedecido e o que se pode fazer obedecendo exatamente as regras estabelecidas. É por isso e por outras que a maioria de nosso povo escolheu vereadores que ainda não compreenderam de fato quais os seus papéis. E querer decidir sobre as escolhas individuais das pessoas é um dos papéis que não cabe a vereador nenhum!

Mas essa semana aconteceu um fato lamentável que vem contrariar essa tese da liberdade de escolhas pessoais na área da cultura. A Câmara de Vereadores simplesmente quer proibir determinadas exposições de artes na cidade com o discurso de que são “exposições públicas de imagens de conteúdo erótico e pornográfico”. Ora, não é papel de nenhum vereador proibir ninguém de ver o que quiser na área da cultura, pois se a pessoa não concorda não vai ver, e pronto!

Ora, parece que o projeto para essa proibição referendado pela Câmara feirense vem após polêmicas como a censura a uma exposição de diversidade sexual em Porto Alegre [Queermuseu] e uma campanha contra uma performance artística ocorrida no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. Até respeito a opinião do vereador Isaías de Diogo (PSC) que propôs tão absurdo projeto, porque não compreendo suas razões particulares. Mas razões particulares não dá o direito "constitucional" de nenhum vereador querer interferir nas escolhas pessoais de quem quer ver ou não ver determinadas exposições de artes.

O vereador foi infeliz com a proposta e quem aprovou a mesma deve fazer uma análise profunda, porque se for proibir os conteúdos culturais que podem ser considerados eróticos somente porque individualmente alguém não concorda, vamos ter que destruir toda a base de nossa cultura, a grega e a romana. Vamos ter destruir grande parte de nossos livros, destruir grande parte de nossas academias, e vamos viver abitolados aos conceitos do que pensa somente poucos indivíduos que deveriam estudar um pouco mais.

Enquanto meus filhos são pequenos e dependem de mim, e somente de mim, eu defino os que eles podem e o que não podem ver. Mas depois que eles como filhos da ânsia da vida forem grandes, como dizia Khalil Gibran, eles devem por eles mesmos definir o que devem e o que não devem ver, obedecendo e respeitando as regras da sociedade que servem para todos e sendo portadores da própria liberdade individual. 

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