Por Genaldo de Melo
Na semana passada
discordei da opinião do jornalista Alex Solnik, quando o mesmo defendia que era
melhor o PT fechar com o discurso prático de arquivamento da investigação e
cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, porque seria
melhor para Dilma Rousseff. Porque com tanta sujeira surgindo, e ele tendo nos
seus encalços a Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República e o STF, viraria
um dócil deputado presidente da Câmara, que preocupado apenas em se defender,
deixaria Dilma em paz. E ela sem manchas de sujeiras somente cresceria
politicamente.
Ledo engano! Pois
como o exemplo da história do escorpião salvo pelo passarinho da poça d’água,
que quando no ar em vez de agradecer ele simplesmente morde o seu salvador,
para ambos morrerem juntos, Eduardo Cunha jamais deixaria de ser o chantagista-mor da
República brasileira, porque isso é de sua natureza. E como eu estava certo! Ele
de fato mordeu, e com seu veneno provocou um desastre que não pertence apenas a
Dilma, mas ao Brasil e aos brasileiros.
Lembro isso agora, para dessa vez concordar absolutamente com a mais nova pérola dele em matéria
de opinião sobre o impeachment. Dos sete pecados capitais que poderia promover
a saída de Dilma, elencados no artigo 85º da Constituição Federal, nenhum,
absolutamente nenhum, ela transgrediu. E realmente é uma vergonha para dois
juristas de renome como Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo assinarem uma peça
jurídica de ficção que o presidente da Câmara de forma “venenosa” como um
escorpião transformou em peça de acusação que poderá cortar a cabeça da
Presidente.
E realmente os
argumentos jurídicos são ralos e escassos como disse recentemente um dos
capitães do “golpe paraguaio”, senador Cássio Cunha Lima, de que se não tiver
gente nas ruas para pressionar os deputados e senadores para derrubarem Dilma,
não vai haver golpe.
E se o impeachment for transformado em plebiscito das ruas,
aí a coisa muda, porque não vai para as ruas somente a elite “bonita” que toma
champanhe, e a Rede Globo mente sobre números, mas vai também quem depende do
“Minha Casa, Minha Vida”, do Bolsa Família, do Pronatec, do Mais Médicos, do
Universidade Para Todos, do PRONAF, e de outras Políticas Públicas mais.
Aí o bicho vai pegar!
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