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Crise, alianças e compromissos

Editorial do Vermelho

Política se faz com programas, alianças e compromissos. A mídia conservadora costuma investir contra esta verdade e tenta estigmatizar as negociações feitas pelo governo para fortalecer sua base e garantir a governabilidade juntando, em torno de seu projeto, forças políticas e sociais diversas mas afinadas com o mesmo propósito de mudanças. E, em análises que revelam quase sempre má disposição em relação às ações conduzidas pelo governo, tentam enxovalhar as negociações, rotulando-as de “balcão de negócios”.

Vista pela superfície, a crise na base do governo do Congresso Nacional, aberta com o remanejamento feito pela presidente Dilma Rousseff dos líderes na Câmara e no Senado, parece dar razão àquela interpretação. Mas sua leitura precisa ser mais cuidadosa e cavar um pouco abaixo daquilo que é mostrado pelas aparências.

Há um conjunto de variáveis que precisam ser levadas em conta. A primeira, e mais explícita, revela a intenção, já antiga, de colocar uma cunha entre o PT e o PMDB, apregoada pelo cardeal neoliberal Fernando Henrique Cardoso já no ano passado, com o objetivo de criar uma fissura que destruísse as bases parlamentares do governo, empurrando-o para uma crise que, no sonho tucano, seria crescente e fatal.

Além disso, a mídia retoma o velho objetivo de pautar o governo e interferir na escolha dos principais auxiliares da presidente. É um velho hábito dos editores e comentaristas dos grandes veículos, porta-vozes da oposição conservadora, que atribuem a si mesmos mandatos governativos que não receberam dos eleitores.

A rejeição pelo Senado do nome de Bernardo Figueiredo, indicado por Dilma Rousseff, para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), tem sido indicada como o detonador da crise e prova da rebeldia parlamentar. Neste sentido, outra consideração se impõe: negociações para fortalecer o governo e viabilizar suas ações, assegurando a necessária base parlamentar para elas, não podem ser baseadas em disposições rasteiras como este acontecimento parece indicar. A base para as negociações deve ser os grandes problemas nacionais e as propostas de solução para eles, e não interesses rebaixados de partidos ou personalidades. Basear-se em ideias e projetos, fundamentalmente.

Cabe à presidente Dilma Rousseff dirigir o país e arregimentar as forças necessárias para isso. Ela é a detentora do mandado popular, obtido nas urnas, para exercer essa função, e o que se espera dela é que exerça esse mandato sem vacilações e sem submeter-se a pressões pouco legítimas.

Cabe à presidente fazer as concessões que julgar necessárias para fortalecer seu governo que ela, reiteradas vezes, definiu como sendo de “coalizão”. E a margem de manobra para suas decisões é claramente delimitada pelos compromissos de campanha que angariaram os votos que a elegeram como a suprema mandatária da Nação. Este é o âmbito das negociações legítimas: unir as forças necessárias para colocar em prática o programa de mudanças, fortalecer o ritmo das mudanças e avançar, criando as condições para as reformas políticas democráticas de que o país necessita. Palavra que, afinal, foi o principal mote da campanha eleitoral de 2010.

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