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DEM: fadado a morrer nas urnas

Por José Dirceu, em seu blog:

A eleição de 7 de outubro próximo pode ser a última que o DEM disputará. O Democratas – que já se chamou PFL, Frente Liberal, PDS e ARENA (de hoje para o passado), sendo que este último foi o partido criado para abrigar os parceiros civis do golpe militar de 1964 –, está prestes a mudar novamente. Agora, algumas de suas principais lideranças confirmaram ao jornal Correio do Brasil que, enquanto marcha para o fim aparentemente inexorável nas urnas de outubro, o partido já negocia a fusão com outra legenda. No momento, a mais provável é o PMDB.

A própria caminhada do DEM para a eleição desde ano já tem um travo amargo e sinaliza o destino do partido. Enfraquecido por uma série de escândalos e péssimos resultados eleitorais a cada pleito, o DEM lança agora 42% menos candidatos do que no pleito de 2008, a eleição municipal anterior no país.

Pesquisas mostram dificuldade de o partido sobreviver

As pesquisas são implacáveis: o DEM sairá das urnas este ano menor do que jamais saiu em qualquer outra eleição. Sem contar o fato de que já foi praticamente dizimado pela formação do PSD de Gilberto Kassab, que absorveu quase metade dos quadros em todo o país. Além de lhe tirar a metade dos recursos do fundo partidário e do tempo de rádio e TV no horário de propaganda gratuita, conforme decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como o processo de erosão do partido já vem de algum tempo, a novidade agora é que ao contrário de uma fusão com o PSDB, seu tradicional aliado desde 1994 quando uniram-se para a 1ª eleição de FHC, o DEM discute fundir-se com o PMDB. Com os tucanos, disseram líderes demos, não há mais possibilidade de debater uma fusão. Desde que perderam juntos e em meio a muitas rusgas a eleição de 2010, quando o candidato de ambos à Presidência da República, José Serra, foi derrotado.

PSDB passou como um trator em cima de candidatos do DEM

Os líderes do Democratas lembram que em duas capitais do Nordeste seus postulantes estão melhor posicionados do que os tucanos na disputa. Não se conformam de os tucanos terem lançado Marcos Cals (PSDB) contra Moroni Torgan (DEM) na capital cearense e que o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), tenha preferido lançar no Recife a candidatura própria de Daniel Coelho, em vez de apoiar a de Mendonça Filho (DEM).

Para sobreviver, ainda que diluído em outro partido, o DEM luta para ganhar a eleição de 7 de outubro próximo em Salvador, Aracaju, Mossoró (RN), Vila Velha (ES), Feira de Santana (BA) e Caruaru (PE).

Presidente nacional do DEM até dois anos atrás, agora candidato a prefeito do Rio contra o tucano Otávio Leite, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) é duro na linguagem com que analisa a relação com seus antigos parceiros preferenciais. Segundo ele, este rompimento com o PSDB desenha-se desde a derrota presidencial de 2010, a ponto de agora não ter restado condições de diálogo entre os dois partidos para a eleição deste ano.

“Aliança não: foi puro escambo”

"Nas duas outras capitais em que estamos juntos (Salvador e São Paulo) não houve aliança. O que aconteceu foi puro escambo", diz Rodrigo Maia. Segundo ele, o apoio do PSDB à candidatura a prefeito de Salvador, do deputado ACM Neto (DEM-BA), só se deu em troca do apoio do DEM ao candidato tucano em São Paulo, José Serra.

Mais que suspeita, os líderes do DEM têm certeza, também, de que José Serra ajudou o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD) a fundar o PSD e na definição do TSE que tirou metade do dinheiro do fundo partidário e do tempo de propaganda no rádio e na TV do DEM para o PSD.

Por tudo isso, as possibilidades de fusão com o PSDB foram definitivamente detonadas, reconhecem os líderes do DEM.

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