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José Reinaldo: Sinais de agravamento da situação no Oriente Médio

Os Jogos Olímpicos de Londres são uma grande festa, um congraçamento entre povos através do esporte, mas nem tudo são flores na situação internacional. Os acontecimentos dos últimos dias no Oriente Médio são reveladores de que a região concentra as principais contradições do mundo contemporâneo e é alvo de brutal ofensiva de forças imperialistas – os Estados Unidos, seus aliados da União Europeia e Israel.

Por José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho


Há uma escalada de ameaças de intervenção, ficando patente que o objetivo atual dessas potências é construir uma espécie de círculo de ferro em torno da Síria e do Irã.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, cuja designação mais apropriada deveria ser secretário da Guerra, pois é o chefe do Pentágono e de toda a panóplia de instituições bélicas dos Estados Unidos, iniciou na última segunda-feira (30), um giro pela região. Suas escalas são três países árabes – Tunísia, Egito e Jordânia – e Israel.

Na bagagem, o secretário de Obama leva polpudas ajudas militares, com o que pretende reorganizar a cooperação dos Estados Unidos nessa área com os dois principais aliados atingidos pela chamada Primavera Árabe – Tunísia e Egito. Na Tunísia, Panetta prometeu o “apoio ilimitado”, depois de elogiar o processo que ele considerou uma "transição exitosa e relativamente estável" a um governo democrático.

No Egito, onde chegou nesta terça-feira (30), o secretário da Defesa do governo de Barack Obama realiza com as novas autoridades do país um balanço da assistência militar, que atinge a elevada cifra de US$ 1,3 bilhão. É necessário assinalar que depois do Estado sionista de Israel, que é o principal aliado dos Estados Unidos na região, o Egito é o que recebe a maior soma a título de assistência militar.

O país tem importância estratégica por sua fronteira com Israel e a Faixa de Gaza, sob cerco israelense. Note-se ainda que o Egito não tem relações diplomáticas com o Irã, situação que pode sofrer alterações em face da emergência de um governo islâmico, ainda que moderado. É algo a verificar se haverá pressões para que o país mantenha congelado esse status.

No terceiro país árabe a ser visitado, a Jordânia, Panetta discutirá sobre o reforço da segurança na fronteira com a Síria, sob o pretexto da chegada de cerca de 140 mil desalojados pelo conflito.

Em Israel, o secretário da Defesa do imperialismo estadunidense reforçará ainda mais a ajuda militar, que atinge a astronômica soma de US$ 3 bilhões anuais. Dessa forma, os Estados Unidos alimentam a brutal máquina de guerra com que Israel esmaga a liberdade e os direitos do povo palestino, martirizado e permanentemente ameaçado de genocídio e limpeza étnica.

Tudo isso poderia ser encarado como questões de rotina nas relações geopolíticas e militares dos Estados Unidos com a região, não fosse por três circunstâncias.

A primeira foi a divulgação, pelo jornal israelense Haaretz no último domingo (29), de que existe um plano de contingência dos Estados Unidos para atacar o Irã, se a diplomacia não frear as atividades nucleares da nação persa. Isto é revelador da gravidade das ameaças que pairam sobre a humanidade, pois qualquer pessoa de sã consciência é capaz de imaginar o que sucederia caso um ataque dessa natureza se concretizasse.

As revelações do jornal israelense não foram desmentidas nem por Washington nem por Tel Aviv. O silêncio no caso equivale a uma confirmação, porquanto há vários meses Israel faz reiterados anúncios de que está prestes a atacar as instalações do programa nuclear pacífico da República Islâmica. Observe-se adicionalmente que Israel é o único país do Oriente Médio que possui armamentos nucleares, sendo assim um Estado violador do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

A segunda circunstância agravante foi a visita do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Mitt Romney, a Israel, onde fez intoleráveis provocações aos palestinos, cuja dignidade nacional ofendeu ao dizer que Jerusalém é israelense e que se ele for eleito presidente transferirá a embaixada dos Estados Unidos para lá.

Igualmente, o candidato direitista à Casa Branca revelou a disposição para atacar militarmente o Irã ou apoiar um ataque israelense à nação persa.

A terceira circunstância reveladora do agravamento dos problemas no Oriente Médio foram as declarações do indigitado Panetta sobre o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad. O funcionário de Obama disse literalmente que a ofensiva síria contra os terroristas e mercenários em Alepo seria o “prego no caixão” de Assad. Os imperialistas norte-americanos já não têm pejo e usam à farta metáforas em que estão subjacentes seu ímpeto assassino.

Felizmente, porém, tanto Panetta como Romney foram severamente punidos. Panetta, pelo avanço da ofensiva síria contra os mercenários e terroristas e pela firmeza revelada pelo governo do presidente Assad. Romney, pelas declarações serenas e firmes dos dirigentes da Autoridade Nacional Palestina, que reafirmaram o direito ao seu Estado independente com capital em Jerusalém Leste.

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