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Greves: negociação e luta são o caminho para o acordo

Editorial do Vermelho

Negociação. Esta é a palavra que pode levar ao fim do impasse em que governos, professores e funcionários públicos estão envolvidos nas última semanas. Negociação que envolve os trabalhadores paralisados e também os governos afetados – no caso os governos de Dilma Rousseff e de Jacques Wagner, da Bahia.

A luta e a negociação, neste caso, dizem respeito a greves cuja duração já vai longe. Na Bahia, iniciada na primeira quinzena de abril, a greve dos professores da rede pública completou 93 dias nesta quarta-feira (11), quando teve início a negociação com a intermediação do Ministério Público na Bahia, estando prevista a abertura de conversações diretas entre grevistas e governo nesta quinta-feira (12).

Ambas as partes demonstram a disposição, fundamental, de negociar. Por um lado, o governo de Jacques Wagner aponta a apertada situação fiscal do estado mas garante – disse o governador – que “há boa vontade” para chegar a um acordo. Esse é o mesmo espírito demonstrado pelos professores, que avaliarão o rumo de seu movimento coletivamente. Questão sensível é a revogação das punições aplicadas aos grevistas (como cortes de salários e demissões), reivindicação cujo atendimento é visto como possível por Wagner, que o encara como “uma questão política e não fiscal”.

Outra longa greve em andamento é a dos professores das universidades federais, que já dura quase 60 dias, paralisando 56 das 59 universidades federais e 34 institutos federais de educação tecnológica. A reunião de representantes dos grevistas com o governo federal, ocorrida na quarta-feira (11), no Palácio do Planalto, acende uma luz no fim do túnel. Dirigentes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) foram recebidos pelo secretário executivo da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Sottili, e pelo assessor José Lopes Feijó, a quem entregaram uma carta dirigida à presidenta Dilma Rousseff pedindo sua interferência nas negociações. Os professores querem reajuste salarial e a reestruturação do plano de carreira. A reunião resultou na promessa de intermediação da Secretaria Geral (cujo titular, Gilberto de Carvalho, não participou da reunião por estar em férias) pela abertura de negociações junto ao Ministério do Planejamento, de quem depende a decisão sobre o plano de carreira.

A legitimidade da luta dos trabalhadores de qualquer categoria (públicos ou privados) não pode ser questionada. O direito de greve é uma conquista democrática que resultou de lutas árduas, longas, e seu exercício legítimo não pode ser posto em dúvida sem que isto signifique risco para a democracia. A negociação, como parte da luta dos trabalhadores, é o caminho para superar os impasses implícitos na situação de tudo ou nada.

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