Por Genaldo de Melo
A voz maviosa da
música do candidato à prefeito por Feira de Santana, que está tentando à
reeleição, parece tentar entrar pelos ouvidos como se por osmose. Mas o “Feira
encontrou seu lugar, Feira encontrou seu...” não parece muito se harmonizar com
a situação em que se encontram alguns bairros da cidade, bem como as
comunidades rurais.
Na realidade como
matéria de propaganda, a música caiu muito bem no “gosto” das crianças que
estão cantando nas ruas, e nos ouvidos daqueles que sem tempo para pensar e
lembrar-se dos últimos quatro anos, recebem e ouvem a mesma como se tudo fosse
uma grande festa.
Mas é bom que os
marqueteiros que estão tentando consolidar o nome da osmose embutida na música,
não fiquem pensando que tudo está resolvido para 02 de outubro, porque também
está pegando no “gosto” popular mais duas ou três músicas como osmose nesse
processo eleitoral, que não necessariamente é a campanha de reeleição do atual
dono do Paço Municipal.
É bom que se diga
que segundo os ensinamentos de Jean-Marie Domenach, as pessoas em condições
cidadãs de votos assimilam osmoticamente tudo aquilo que melodicamente entra
pelos ouvidos, mas não esquecem por mais que sejam hipnotizadas do que
sentem na própria pele no dia a dia. Porque as pessoas também precisam
ser cuidadas pelo Poder Público, como diz outro refrão das ruas.
Não existe nada decidido ainda nessas eleições, tanto que a mídia local
fala de que em torno de 76% dos eleitores ainda não decidiram em quem vai votar
em vereador. E apesar de se reconhecer que nessas eleições os candidatos à
vereadores não são os verdadeiros cabos eleitorais, como eu mesmo disse em
matéria recente aqui (Conselho para
quem acha que com vereadores demais ganha eleições), muitos cidadãos
na hora da decisão da urna além de votar em candidato à vereador poderá fazer a
chamada “casadinha”.
Mas nenhum
hipnotismo, feitiçaria de laboratório de gravação de rádio e televisão, nenhuma
festa, vão conseguir enfrentar as duas situações naturais enfrentadas pelos
milhares de cidadãos feirenses que precisam ser cuidados. A primeira
situação é o natural cansaço de sempre ouvir a mesma voz e a mesmo semblante de
sempre, como se existisse apenas um nome e um projeto de governo para Feira de
Santana. Ninguém é de ferro para não cansar um dia, com a eterna repetição do
mesmo!
E a segunda
situação é que não existe propaganda certa contra a falta de transporte de
qualidade, com postos de saúde com verdadeiros donos políticos, de
administradores de bairros e distritos que acham que o povo é um bárbaro que
não sabe a direção que vai, de obras bonitas no Centro da cidade para
fotografia para colocar em jornais, revistas e sites financiados, de estradas
nas comunidades rurais que parecem mais que estamos ainda no século 19 quando
não existiam automóveis, mas animais, e outras tantas que fazem o povo não
esquecer.
Aliás, não existe
propaganda certa com a verdadeira falta de cuidadores do povo na Prefeitura
Municipal! Mas os resultados serão computados apenas na noite do dia 02 de
outubro, e respeitando quem vencer, ganha ou perde o povo. Os dedos estão
cruzados!
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