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O milagre da prisão de Eduardo Cunha esconde outro desafio

Por Genaldo de Melo
Ninguém é a favor da corrupção, sejam aqueles que são de fato honestos e querem que a mesma seja não somente combatida, mas também de alguma forma prevenida, como também aqueles que se locupletam com os recursos públicos e necessitam do discurso contra a corrupção para se manter politicamente na ativa no mundo político. E foi exatamente a corrupção que foi matéria de todos os discursos e práticas políticas nos últimos anos, tanto que foi exatamente com esse discurso que corruptos comprovados tiraram Dilma Rousseff do Palácio do Planalto sem provar que a mesma estava envolvida em corrupção.

E por isso finalmente prenderam Eduardo Cunha, o Senhor dos Anéis, que deveriam já ter ido para a cadeia já nos últimos meses de 2015. Mas como precisavam dele para que fizesse todo o trabalho sujo de golpear a democracia brasileira, e fazer com que nos tornássemos a República mais frágil do planeta Terra, deixaram para prendê-lo exatamente quando dele precisasse de novo. E agora como a Lava Jato já estava em pleno processo de apodrecimento moral, porque existia somente para perseguir membros de um só partido, eis que de novo Cunha serve como o bode na sala para demonstrar que Moro não é um juiz parcial.

Porém o que se ver ainda nesse processo todo é que Cunha apesar de ter sido preso ainda não foi totalmente eliminado, lembrando aqui o que disse em tempos recentes o senador pelo Paraná Roberto Requião, de que a história de Eduardo Cunha não tinha ainda terminado quando o mesmo perdeu seu mandato. Cunha ainda pode servir para outras duas parafernálias políticas no país. A primeira prender Lula sem provas com o discurso "moral" de que a Lava Jato é imparcial. Porém prender Lula é totalmente diferente de prender Cunha, porque Cunha não dispõe mais de capital político e eleitoral, enquanto Lula mantém todo seu capital, comprovado nessa semana pela pesquisa Vox Populi de que o mesmo vence em todos os cenários as eleições presidenciais de 2018.

A segunda parafernália política de que ainda se podem valer do personagem Eduardo Cunha é para derrubar definitivamente o governo “ilegítimo” de Michel Temer, porque ele também foi um personagem como bode na sala para tirar o PT do jogo político e entregá-lo de volta a falsa social-democracia brasileira, que representa a direita em todos os seus ostentares ideológicos. Aqui a tarefa é bem mais simples, pois Michel Temer é o principal político brasileiro do qual Eduardo Cunha sabe de todos os seus mais podres segredos políticos das duas últimas dezenas de anos. A preocupação deve ser porque alguns não querem derrubá-lo agora, porque ele pode ser como bode na sala o “cara” para colocar em prática urgente a agenda impopular do Consenso de Washington, que deve ser aprovada de modo urgente, começando com a PEC 241.

Prova de que existe coisa "esotérica" na prisão de Cunha é que parece que o homem sabia exatamente o dia certo de sua prisão, ou seja, alguém disse prá ele que ele seria preso, para que ele tomasse algumas providências cabíveis. E é a principal safadeza que envergonha qualquer brasileiro por saber que quando foram bloquear suas contas bancárias que ele tem no Brasil, simplesmente não havia um mísero tostão furado. Outro fato simbólico da falta de seriedade é que Cunha já estava com suas malas prontas para sua prisão em Curitiba, e delegaram que ele não poderia sair algemado e sem espetáculos pirotécnicos e globais em madrugadas e manhãs como fizeram com petistas.

Apesar de todo mundo ser contra a corrupção, de todo mundo querer que um dos maiores corruptos da história recente brasileira seja preso e condenado, exatamente a corrupção deve continuar sendo o discurso de políticos nojentos aliados a mídia do Jornalismo da Obediência e aos setores políticos do Judiciário, porque eles querem a qualquer custo fazer exatamente as duas coisas ditas, tirar o bode da sala que é Michel Temer o quanto antes melhor, e derrubar Lula, porque ele vence a todos nas eleições presidenciais de 2018. E direita brasileira comprovou que apesar de ser ruim de voto, é excelente em golpes jurídicos!

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