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A democracia das ruas como última chance para o povo brasileiro

Por Genaldo de Melo
Durante muitos anos os movimentos sociais e sindicais organizados da sociedade brasileira permaneceram mais tácitos em função da mudança de configuração do papel do Estado. Mesmo sendo um Estado forte, com presença mais dinâmica na contribuição com o protagonismo da economia brasileira no cenário mundial, tanto que o país passou a ser uma das maiores do mundo, houve o papel primordial e pioneiro em construir Políticas Públicas de distribuição de renda, geração de emprego, aumento do poder aquisitivo e da qualidade de vida dos brasileiros, bem como a preocupação com a justiça social. Somente quem continua negando isso é a Rede Globo e a direita que quer o poder a qualquer custo.

O Estado brasileiro se aproximou da possibilidade de ser o Estado que o povo e as organizações orgânicas da Sociedade Civil sempre pautaram em suas bandeiras de luta. Não foi a situação perfeita como sempre quiseram os homens e as mulheres que entendem um país não somente para uma minoria dos setores proprietários do capital, mas um país para todos, o suficiente para fazer entender que nosso país estava no caminho certo e não se precisava da criação de distúrbios institucionais.

Com a chegada de Michel Temer ao poder na forma mais vergonhosa possível para um país das dimensões como o Brasil, e sendo a sexta economia do mundo, o cenário da Sociedade Civil organizada começa a mudar, e os movimentos dos Aparelhos Privados de Hegemonia começam a compreender que eles devem assumir o protagonismo de educar o povo brasileiro para fazer a luta para manter seus direitos mais elementares que querem tirar e contra o desmonte do Estado brasileiro como um Estado soberano, democrático e acima de tudo forte para cumprir seu papel na defesa do cidadão.

O grupo político que não mais aceitou quatro derrotas sucessivas nas urnas em função exatamente de que o povo brasileiro não quer de jeito nenhum a ideia de um Estado neoliberal, aliou-se ao que existe de pior na política brasileira (prova disso foi a queda de quatro ministros e mais oito sendo investigados em erros com a Coisa Pública), e promoveu a tomada do poder não mais no voto como prerrogativa da democracia e da Constituição Brasileira.

Como os movimentos sociais e sindicais estavam quietos porque foram eles mesmos quem contribuíram com a escolha do projeto de poder até então, Michel Temer pensou que poderia fazer tudo de ruim em um espaço de tempo muito pequeno, e caiu literalmente em desgraça com conseqüências políticas irreparáveis. O povo e os movimentos sociais e sindicais finalmente acordaram e começaram a ocupar as ruas e as praças, cumprindo de novo seu protagonismo histórico em defesa dos interesses e direitos dos seres humanos que são os brasileiros.

Michel Temer, Henrique Meirelles, Aécio Neves (ambos que sonharam ser presidente), PSDB, PMDB, DEM e aliados mexeram com fogo perto do querosene. Pela primeira vez em mais de uma década a população brasileira está organizada para fazer política nas ruas em contraponto ao modo de fazer política do pequeno grupo que está sentado no poder, através da judicialização da própria política. E o povo unido, jamais será vencido, porque é maioria em contraponto ao seleto grupo de aves de rapinas, representantes de outro pequeno grupo do mercado. A Michel Temer ainda cabe a grandeza de ter como saída, a renúncia!

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