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Por menos impostos para os bilionários

Por Genaldo de Melo
Não pode ser considerado normal que um Estado falido com o Rio de Janeiro, com um governante em riscos de perder seu cargo, e com a possibilidade inclusive de ser preso por causa de esquemas sujos junto com outro mala suja, simplesmente conceda isenção fiscal para que um homem que ganha em torno de 500 mil reais por hora possa montar uma fábrica livre de impostos.

Mas é exatamente isso que o governador do Rio de Janeiro, o famoso Pezão, poderá fazer. Ele simplesmente pode conceder isenção fiscal para que o senhor Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do mundo, possa montar uma fábrica de lata e embalagens no Estado.

Paulo Lemann é o homem mais rico do Brasil, e 22º do mundo, segundo a revista Forbes. Do ano passado prá cá, a fortuna dele aumentou em US$ 1,4 bilhão, atingindo US$ 29,2 bilhões, segundo os cálculos. Isso representa um ganho de US$ 3,836 milhões por dia, o que equivale a US$ 159.817 por hora durante um ano.

Ou seja, o homem que ganhou no último ano R$ 497.831 por hora quer uma isenção fiscal de R$ 650 milhões de reais do Estado do Rio para montar uma fábrica e aumentar ainda mais suas riquezas. O discurso para desse “pobre coitado”, dono da Ambev (Brahma, Skol e Antártica) e outros inúmeros negócios, é de que vai gerar cerca de dois mil empregos diretos e indiretos.

Num Estado em que Pezão argumenta que não tem dinheiro para pagar seus funcionários, com sua cabeça à prêmio por irregularidades eleitorais, com um pedido de impeachment a ponto de estourar na ALERJ e um de prisão em Bangu 8, acusado de receber propinas em conluio com o corrupto da ostentação Sérgio Cabral, isentar o homem mais rico do país é uma indecência e uma falta de respeito com os cariocas.

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