Pular para o conteúdo principal

A truculência em Brasília impondo a iminente volta da semi-escravidão

Por Genaldo de Melo
Se exatamente em mais de um século atrás houve lutas e conquistas, a partir dos grevistas de São Paulo, para que os trabalhadores tivessem direitos, hoje com o projeto de Reforma Trabalhista proposta pelo governo mais impopular da história da civilização brasileira, tudo vai por água abaixo, ou seja, tudo voltará a ser com era antes de 1917.

É um verdadeiro desastre e um retrocesso na história que passa dos limites da compreensão humana. E quem luta contra isso é chamado de membro da ditadura (foi o que disse hoje o presidente do Senado Federal).

Com os acontecimentos de hoje, com a truculência do Presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira, que autoritariamente apagou as luzes do Plenário, porque senadoras corajosa (Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Sousa (PT-PI) tomaram a postura de ocuparem a Mesa Diretora para exigir que se mude uma das regras da lei, que é para as mulheres grávidas não sejam prejudicadas, a sociedade brasileira precisa se atentar para o que de fato está acontecendo no país.

Não é preciso ser ou ter narrativa de esquerda ou de partido político que faz oposição ao governo, basta ler a proposta de Reforma Trabalhista para se saber o que está em jogo nesse momento no Congresso Nacional. 

Reproduzo para um pouco de compreensão o artigo de Gilberto Maringoni do seu Blog, reproduzido também pela revista Fórum, para que os amigos leiam e tirem algumas conclusões sobre a falsa modernidade de que tanto falam os representantes dessa entidade chamada “mercado”.

A escuridão do Senado é uma luz para Brasil 

(Gilberto Maringoni)

O plenário do Senado está com luzes apagadas e sem som. As bravas senadoras da oposição utilizaram a língua que a escória governista entende, a da força. Impedem que seja reiniciada a sessão que fará baixar um manto de trevas sobre os direitos sociais brasileiros.
As classes dominantes brasileiras nunca engoliram a CLT. Permaneceram 44 anos com essa pedra na garganta. A ditadura buscou mitigar seus efeitos, mas a reforma trabalhista do “mercado” vai além: nos leva a um mundo pré 1943, pré-Getúlio, pré 1930. Ela nos remete a algum ponto antes de 1917.
Naquele ano, os grevistas de São Paulo reivindicavam, entre outras coisas:
1. Liberdade de associação. Um século depois, a reforma busca destruir sindicatos, com o fim do imposto e com a negociação individual,
2. Proibição de trabalho para menores de 14 anos. Podemos ter a selva, com o fim de qualquer regra, e
3. Jornada de 8 horas. Pelas novas normas, isso acaba.
(Nota: a greve foi vitoriosa e tais pontos foram conquistados)
O fim da CLT não atinge apenas quem trabalha. Ela desorganiza a sociedade. Os sindicatos representam uma poderosa e eficiente teia de assistência e organização para os de baixo. Sem as entidades, outras estruturas ocuparão esse lugar. Podem ser igrejas variadas, pode ser o crime organizado, pode ser a barbárie nas relações sociais.
O liberalismo no mercado de trabalho desqualifica a educação formal do trabalhador. Sem estabilidade ou previsibilidade alguma, ele não terá incentivo pra se aprimorar ou se capacitar. Hoje faz um bico aqui, amanhã será temporário ali.
Com o previsível achatamento dos salários, o mercado interno se encolhe, o poder de compra desaba, a arrecadação cai e os serviços públicos evaporam.
Em economia existe o conceito de “efeito multiplicador” para se designar determinadas ações ou atividades que induzem outras e que funcionam como alavancas da atividade econômica. O efeito multiplicador do emprego na indústria automobilística, por exemplo é, em média, de 1 para 10, ou seja, cada posto na indústria gera tantos outros nas fábricas de autopeças, oficinas, comércio, redes de financiamento etc.
A reforma trabalhista tem impulso contrário. A palavra não existe, mas ela apresenta uma espécie de efeito desmultiplicador muito forte. Cada vaga perdida e cada carteira de trabalho descartada gera um corrosivo efeito cascata no tecido social difícil de ser calculado.
A reforma nos leva ao buraco, destrói laços societários, gera o cada-um-para-si e o todos contra todos, numa escala ainda maior. É a porta aberta para o individualismo, a falta de solidariedade e a competição selvagem por migalhas. É o terreno do apagão nacional.
Por isso, a votação de hoje no Congresso tem de ser impedida a qualquer custo.
A escuridão do Senado é uma luz para as lutas em toda a sociedade.
As valentes senadoras são nossa vanguarda iluminista neste momento!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A FRAQUEZA E AS DOENÇAS DE UM LÍDER PEQUENO

Por Genaldo de Melo O líder político deve ser sempre o mais forte, moral e espiritualmente, do grupo que lidera, ou pelo menos parecer ser. Fraqueza é a premissa mais incoerente que existe na natureza de quem  deseja liderar politicamente um povo. Apenas no extremismo político a fraqueza pode ser considerada coisa boa, porque um fanático não enxerga tal coisa como negativa. Apenas os apedeutas do extremismo são verdadeiros analfabetos políticos. Como compreender o ex-presidente que sempre arrotou valentia, vomitava intolerância, violência e ódio continuar com tantos seguidores demonstrando fraqueza e se vitimizando o tempo todo quando a coisa aperta para ele? Não o considero líder de nada, apenas de oligofrênicos! O homem foi condenado a ficar fechado na cadeia a mais de vinte sete anos por crimes que evidentemente cometeu, conforme o Código Penal e a Constituição Federal, e fica todo dia inventando coisas para voltar para casa para voltar a encrencar e infernizar a vida do povo br...

ONU e Conab assinam acordo para troca de experiências de combate à fome

Por Genaldo de Melo Com o objetivo de fortalecer iniciativas contra a fome e voltadas para a segurança nutricional, representantes do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) assinaram hoje (30) um documento para promover intercâmbio de experiências entre o Brasil  e outros países em desenvolvimento.  Segundo o diretor do Programa de Alimentos da ONU, Daniel Balaban, países da África e da Ásia usarão experiências brasileiras com exemplo para a implantação de programas que devem ajudar no combate à fome, com o fortalecimento da agricultura familiar. Entre as iniciativas citadas por Balaban, os destaques são os programas de aquisição de alimentos do governo brasileiro e o de alimentação escolar, por meio do qual escolas públicas incluem na merenda produtos da agricultura familiar. “O mais importante é que esses países consigam, a partir da experiência brasileira, implantar seus próprios programas...

LITERATURA