Por Genaldo de Melo

Não existe outro termo para diagnosticar que
uma parcela significativa de nossa sociedade está ficando bestializada, quando
replica qualquer fato que possa atingir a personalidade política de Lula. É tão
doentia a preocupação em construir fake news e mentiras para acabar com o
ex-presidente, que quem mais é atingido é sua família.
Algum mentecapto pegou um vídeo de um
milionário árabe saindo em sua Ferrari dourada do Hotel de Paris, em San Carlo,
no Principado de Mônaco, e colocou nas redes sociais dizendo que se trata do
filho de Lula, aquele que já foi também dono da JSB, segundo outra famosa fake news do passado
recente.
A fake news da Ferrari dourada de Lulinha mostra que viramos um país de mentirosos patológicos. Por Kiko Nogueira (DCM)
Lulinha é o personagem central das maiores fake news nacionais.
Ele já foi retratado como dono de avião, promotor de festas com prostitutas, proprietário de fazenda e da JBS, entre outros absurdos.
Fábio Luís Lula da Silva já tentou recorrer à Justiça.
Em 2015, o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB-SP), foi acionado por causa de uma postagem no Facebook usando a história da Friboi para convocar manifestantes num protesto anti Dilma.
Um funcionário do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Daniel Graziano, filho de Xico Graziano, foi convocado a depor num inquérito sobre a boataria da empresa dos irmãos Batista.
A nova é que Lulinha é dono de uma Ferrari dourada. Um vídeo no YouTube mostra um sujeito embarcando no carro com um amigo num cidade do estrangeiro.
Diversos sites, replicados exaustivamente, garantem que se trata de Lulinha passeando no Uruguai.
Na verdade, é um milionário árabe saindo do Hotel de Paris em Monte Carlo, no principado de Mônaco, mas isso é o que menos importa.
O fenômeno da pós-verdade já foi bastante esmiuçado: hoje, fatos objetivos têm menos importância do que crenças pessoais.
O bando de energúmenos que espalha essa fábula grotesca sabe que a coisa não tem pé nem cabeça, mas a ideia não é ser honesto.
A ideia é enganar, iludir, matar a reputação do inimigo.
Viramos uma nação de mentirosos compulsivos.
Temer e seus homens mentem, Alexandre de Moraes plagia, juízes trapaceiam, idem para procuradores. Não é surpresa, portanto, que a sociedade seja mentirosa.
O engano, a falsa representação sempre fizeram parte da condição humana.
Mentir pode ser um ato diplomático, divertido ou mesmo necessário para a sobrevivência. Nietzsche falava da “pia fraus”, a mentira piedosa.
O Brasil atingiu o ponto em que foi tomado por encantadores de cobras, manipuladores vagabundos e embusteiros patológicos que são celebrados.
Uma nação repleta de cidadãos de bem capazes de escrever isso nas redes sociais:
FILHO DO LULA COM UMA FERRARI DOURADA NO URUGUAI! E VOCÊ VAI FICAR PARADO? VAI DEIXAR ISSO ACONTECER NA SUA FRENTE? E NÃO VAI FAZER NADA? COMPARTILHE ESSE VÍDEO E VAMOS MOSTRAR AO BRASIL QUEM É O LULA E SUA FAMÍLIA!
Não éramos assim. Ou éramos e não sabíamos. O golpe elevou à categoria de arte aceitável o que era um desvio de caráter.
O brasileiro médio, hoje, é candidato a pulha.
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