Editorial de Carta Maior
"A produção industrial norte-americana cresceu 15% desde o fundo do poço da recessão em 2009. A produtividade, porém, respondeu por quase todo o avanço no período, com crescimento de 10,7%. A jornada de trabalho mais longa fez quase todo o resto. O nível de emprego na indústria ficou virtualmente estável" (Dow Jones). O emprego que cresce nos EUA - como agora em janeiro, com a festejada abertura de 234 mil vagas - é de má qualidade com baixos salários.
Para retornar aos níveis pré-crise, a economia norte-americana precisaria gerar seis milhões de vagas. Para retornar ao pleno emprego, precisaria vencer uma fatura de 12,7 milhões de desempregados. No ritmo atual isso demandaria mais de quatro anos, sem considerar o acréscimo anual de braços que chegam ao mercado.
Segundo a OIT, um em cada três trabalhadores do mundo encontra-se hoje desempregado ou vive na pobreza; isso equivale um contingente de 1,1 bilhão de pessoas. Nesta década será preciso criar mais de 600 milhões de vagas para enxugar o estrago causado pela crise e absorver as novas levas à procura de trabalho. A receita atual do FED de privilegiar o apoio à banca, e a 'contração fiscal expansiva', predominante na Europa - um neoliberalismo de guerra induzido a ferro e fogo por Angela Merkel - não tem a mínima chance de atender a essa demanda.
A maior vítima do ocaso do emprego nas economias ricas é a juventude. Na Espanha, na Grécia e na Itália as taxas de desemprego entre os jovens oscilam em torno de 48%: praticamente a metade da atual geração está fora do mercado de trabalho e tem poucas esperanças de ser incorporada um dia. Na Inglaterra, essa geração à deriva já forma um exército superior a um milhõa de pessoas. Não por acaso, 80% dos participantes dos saques de agosto de 2011, em Londres, tinham menos de 25 anos.
No Egito em chamas, os jovens na faixa dos 15 aos 24 anos formam a maioria da população: o desemprego entre eles é da ordem de 25% a 30%. Sem trabalho e sem democracia, resta a revolta, que se derrama para as demais esferas da vida social: as ruas, as escolas, as torcidas organizadas, os estádios de futebol. É muito vapor na fornalha da insatisfação. Explosões são inevitáveis.
"A produção industrial norte-americana cresceu 15% desde o fundo do poço da recessão em 2009. A produtividade, porém, respondeu por quase todo o avanço no período, com crescimento de 10,7%. A jornada de trabalho mais longa fez quase todo o resto. O nível de emprego na indústria ficou virtualmente estável" (Dow Jones). O emprego que cresce nos EUA - como agora em janeiro, com a festejada abertura de 234 mil vagas - é de má qualidade com baixos salários.
Para retornar aos níveis pré-crise, a economia norte-americana precisaria gerar seis milhões de vagas. Para retornar ao pleno emprego, precisaria vencer uma fatura de 12,7 milhões de desempregados. No ritmo atual isso demandaria mais de quatro anos, sem considerar o acréscimo anual de braços que chegam ao mercado.
Segundo a OIT, um em cada três trabalhadores do mundo encontra-se hoje desempregado ou vive na pobreza; isso equivale um contingente de 1,1 bilhão de pessoas. Nesta década será preciso criar mais de 600 milhões de vagas para enxugar o estrago causado pela crise e absorver as novas levas à procura de trabalho. A receita atual do FED de privilegiar o apoio à banca, e a 'contração fiscal expansiva', predominante na Europa - um neoliberalismo de guerra induzido a ferro e fogo por Angela Merkel - não tem a mínima chance de atender a essa demanda.
A maior vítima do ocaso do emprego nas economias ricas é a juventude. Na Espanha, na Grécia e na Itália as taxas de desemprego entre os jovens oscilam em torno de 48%: praticamente a metade da atual geração está fora do mercado de trabalho e tem poucas esperanças de ser incorporada um dia. Na Inglaterra, essa geração à deriva já forma um exército superior a um milhõa de pessoas. Não por acaso, 80% dos participantes dos saques de agosto de 2011, em Londres, tinham menos de 25 anos.
No Egito em chamas, os jovens na faixa dos 15 aos 24 anos formam a maioria da população: o desemprego entre eles é da ordem de 25% a 30%. Sem trabalho e sem democracia, resta a revolta, que se derrama para as demais esferas da vida social: as ruas, as escolas, as torcidas organizadas, os estádios de futebol. É muito vapor na fornalha da insatisfação. Explosões são inevitáveis.
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