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As limitações do imperialismo contra o Irã

Editorial do Vermelho

O chamado “Ocidente” (EUA, União Europeia e seus aliados) estão com um grande problema no Oriente Médio, embora com um nome curto: Irã.

As ameaças contra a milenar Pérsia cresceram nos últimos meses, mesmo ante os acenos de Teerã ao caminho da negociação. Os cães de guerra dos EUA, de Israel e da União Europeia só aceitam a rendição incondicional às suas pretensões geopolíticas e se recusam a levar em conta a argumentação iraniana a favor de seu direito soberano de dominar a tecnologia nuclear nas condições estabelecidas pelo Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares, do qual o país é signatário e cujas regras segue.

Isso não importa. No cálculo geopolítico, um Irã independente é uma ameaça cada vez maior para o rottweiller do imperialismo na região, Israel. Para os sionistas é inaceitável uma nação soberana e com capacidade militar para defender seu território e sua independência, fator que consideram uma forte ameaça de “desestabilização” numa região onde, até agora, Israel impõe impunemente sua vontade através de bárbaros e sanguinários ataques contra todos aqueles que resistem à sua vontade e aos seus interesses, como os palestinos.

Este é justamente o impasse atual. O Irã tornou-se uma potência regional cuja capacidade de defesa precisa ser reconhecida. Este é, aliás, o sentido das seguidas declarações de dirigentes iranianos que asseguram a capacidade defensiva do país e manifestam o desejo de demonstrá-la na prática, no campo de batalha. Venham, dizem estas autoridades, e serão combatidos à altura!

O quadro geopolítico mudou. Os EUA já não são a única superpotência que puderam ser no curto período que seguiu à derrocada da União Soviética. Hoje, a realidade é rica em exemplos de que objetivamente o mundo unipolar deixou de existir e que as relações de poder já não são aquelas que existiram nos anos 1990. É um jogo no qual o Irã tornou-se uma peça significativa não só pelas alianças internacionais, mas principalmente pela capacidade militar própria que desenvolveu nas últimas décadas.

Se o governo de Israel sinaliza a intensão desatinada - desesperada, esta talvez seja a palavra melhor - de atacar as centrais de pesquisa nuclear iranianas, vozes mais prudentes nos principais centros imperialistas como Washington, Londres e Paris, aconselham cautela ante o temor do desarranjo mundial que se seguiria e da explosão do preço do petróleo que viria em sua esteira. Há quem calcule que poderia chegar a 300 dólares o barril, jogando de vez os EUA e a União Europeia no buraco da crise econômica que eles provocaram e que não dá sinais de terminar.

Os sinais do esgotamento da tática imperialista se multiplicam. O Irã antecipou-se às sanções recentemente adotadas sob pressão do imperialismo e decidiu, soberanamente, deixar de vender petróleo à França e à Inglaterra, e colocou na lista outros países europeus (França, Itália, Grécia, Portugal, Espanha e Holanda) que deixariam de receber seu petróleo. Voltou as costas aos que adotaram as sanções como se estas fossem uma ameaça.

Mais. Recentemente, demonstrou o crescimento de sua capacidade técnica nuclear ao exibir ao mundo que pode enriquecer urânio a 20%, algo que estava fora dos cálculos sobre seu domínio nesta área. Em termos militares, tem realizado repetidas manobras com navios, aviões e mísseis cuja sofisticação tira o sono dos estrategistas do imperialismo. A decisão de fazer um avião não tripulado (drone) dos EUA pousar suavemente em seu território e se apossar dele, em dezembro passado, trouxe embutida a mensagem da capacidade de interferir nos sistemas de navegação, computadorizados e altamente sofisticados, sobre os quais os especialistas dos EUA julgavam deter um monopólio insuperável. Já não têm, como os técnicos iranianos demonstraram.

Um país que age em defesa de seu povo e de sua soberania não pode cometer bravatas ou fazer promessas, mesmo bélicas, que não possa cumprir. Os iranianos parecem seguir este roteiro. E agora garantem que, ante a iminência de um ataque contra o país, poderão tomar a dianteira e atacar primeiro.

É uma situação que vai se tornando difícil para o imperialismo. Mesmo porque, na eventualidade de um ataque - dos EUA ou de Israel - contra o Irã, acumulam-se as dúvidas sobre sua eficácia (chegarão mesmo aos alvos, às instalações de pesquisa nuclear protegidas no subsolo das montanhas?), ao mesmo tempo em que fica cada vez mais clara a disposição iraniana de responder ao ataque e, assim, demonstrar na prática sua capacidade bélica, impondo ao imperialismo o reconhecimento de um fato sobre o qual, até agora, seus especialistas tergiversam.

O imperialismo tem um grave problema pela frente no Oriente Médio: se atacar o Irã, corre o risco de ficar desmoralizado pela provável reação que enfrentará. Se não atacar - dado que a guerra verbal já foi longe demais - terá que explicar por que não atacou. E, no fim, seja qual for o caminho que seguir, com certeza sairá deste imblóglio ainda mais desmoralizado e enfraquecido.

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