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Impasse na negociação mantém greve da PM na Bahia

Depois da rodada de negociação desta terça-feira (7) a expectativa do governo é de que a greve da Polícia Militar se encerre. No encontro, intermediado pelo arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger, o governo apresentou a proposta de aumento de 6,5% nos salários, além da incorporação gradativa das gratificações: a maior parte da GAP-4 em novembro e o restante em abril e a GAP-5 até 2015. Um acordo ainda não foi fechado e policiais armados continuam ocupando a Assembléia Legislativa.


De acordo com o chefe da Casa Civil, Rui Costa, na reunião realizada com as associações da PM ficou definido que a decisão sobre a aceitação da proposta caberá agora ao comando da corporação. Segundo o secretário, as propostas apresentadas pelo governo tiveram “forte aceitação” pelas entidades da PM, mas o encontro teve que ser suspenso para que fosse estabelecido o diálogo direto com o comando. “As associações não se sentiam representadas pelo movimento, já que não fizeram parte da greve iniciada pela Aspra, e encaminhamos as deliberações para uma conclusão do comando, que agora está se reunindo. A nossa expectativa é a de que até amanhã [quarta] a polícia já tenha legitimado a proposta e haja o retorno imediato dos policiais aos seus postos de trabalho".

Apesar dos avanços há um grande ponto de impasse. Os policiais querem a anistia de todos os envolvidos no movimento e a revogação do pedido de prisão dos 12 dirigentes da Anaspra, entidade que iniciou o movimento. Segundo o governo, esta foi uma determinação do Poder Judiciário na qual não poderá intervir.

Em entrevista à imprensa, o governador Jaques Wagner reiterou o interesse em restabelecer a segurança pública na Bahia. Disse também que o orçamento do Estado é apertado e que tem a obrigação de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Há uma demanda que eu não tenho condições de atender a curto prazo”, afirmou, salientando que mesmo não sendo bom, o salário do policial baiano só perde no Nordeste para o Ceará e Sergipe.

Sobre uma série de crimes que aconteceram desde a última terça-feira (31), Wagner adotou um discurso contundente de repúdio. “Uma coisa é reivindicar. Outra é barbarizar, matar morador de rua, subir em moto, atirar para cima e atravessar ônibus na rua”, comparou.
Ocupação
Enquanto a greve não termina, um contingente do Exército continua o cerco à Assembléia Legislativa, onde policiais militares grevistas estão acampados desde o início do movimento, no dia 31 de janeiro. Durante a madrugada, eles conseguiram a liberação da entrada de pão, água, medicamentos e material de higiene no prédio.

Também durante a madrugada as últimas crianças que participavam da manifestação deixaram o prédio, conforme foi constado durante a tarde por oficiais de Justiça, que tentava cumprir a determinação do Ministério Público, que pedia a retirada imediata de crianças e adolescentes do local.

Para o secretário do Trabalho, Emprego e Renda da Bahia, Nilton Vasconcelos, que também é dirigente do PCdoB na Bahia, o momento é delicado. “O fato é que há um processo reivindicatório. É um processo delicado, pois não houve nenhuma informação prévia, sendo imediatamente decretado o rompimento, e claro que outras categorias se sentem também demandantes deste tipo de melhorias. E o governador tem sido claro, ele procura ouvir e atender estas reivindicações, tendo em vista a Lei de Responsabilidade Fiscal e o limite prudencial. Temos que considerar a concessão, qualquer que seja feita neste momento, que outras categorias também podem buscar o mesmo, por isso o governo tem procurado o processo de negociação”, concluiu.

De Salvador,
Eliane Costa

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