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A luta democrática no Oriente Médio

Por Emir Sader


Um seminário em Beirute, em que se pode entrar em contato direto com algumas das expressões mais significativas do movimento democrático que explodiu no ano passado no Oriente Médio. Exposições sobre a Tunísia, o Egito, a Síria, o Líbano, entre outros, permitem há mais de uma ano, com eleições realizadas em alguns países, compreender melhor o caráter desses movimentos.

Quando apareceu a primavera árabe, houve gente que se apressou em falar de uma “revolução” no mundo árabe. Caíam, surpreendentemente, ditaduras que sobreviviam há décadas, frente a manifestações como nunca haviam conhecido alguns países.

A derrubada das ditaduras de Ben Ali na Tunisia e de Mubarak no Egito foram manifestações espetaculares dessa primavera, que parecia trazer a democracia para o centro de uma região dominada por autocracias.

Mobilizações de jovens, a que se incorporaram camadas populares – e inclusive grandes contingentes operários, no caso do Egito - tiveram a capacidade de, praticamente de forma pacifica, derrubar regimes fundados na força.

O fenômeno parecia se alastras para grande parte dos países da região, quando de repente apareceu a crise na Líbia. Logo ficou claro que se tratava de um caso distinto. Não apenas porque, pelo menos na sua origem, o regime de Kadafi tinha um caráter claramente popular, mas também porque, ao contrario da Tunísia e do Egito, mesmo se seu líder estivesse em um movimento de clara aproximação e inclusive de adesão a teses e às forças dominantes no mundo, não se tratava de um regime que tivesse estado sempre alinhado com as potências ocidentais.

A capacidade resistência do regime confirmava essas distinções, revelando rapidamente que ele não cairia da mesma maneira que caíram os governos da Tunísia e do Egito. Em parte, pelo apoio popular que o regime ainda dispunha, por outro lado pela capacidade de resistência que o governo revelava.

Diante desses obstáculos, a oposição apelou à sublevação armada, ao mesmo tempo que as potências interessadas em derrubar o regime de Kadafi conseguiam aprovar no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução de suposta “proteção das vítimas civis”. Esta foi aproveitada pela Otan para realizar bombardeios sistemáticos contra o regime, buscando claramente sua derrubada, sem nada a ver com a proteção das vítimas civis que, ao contrário, aumentaram exponencialmente com os bombardeios.

A partir desse movimento os movimentos democráticos na região mudaram de sentido. Já nao se tratava de movimentos populares de massa, que isolavam e derrubavam, praticamente de forma pacífica, a governos autocráticos isolados e fragilizados, até que caíssem.

O caso da Síria – qualquer que seja a avaliação que se tenha do regime, da mesma forma que o anterior regime líbio – é similar. A oposição atua com violência similar à do governo, enquanto as potências que propugnam pela queda do governo buscam apoio similar à que conseguiram na luta contra o regime de Kadafi.

Este apoio não é possível pela oposição da China e da Rússia, que haviam autorizado a ação na Líbia e se deram conta que ela tinha sido utilizada para derrubar o regime de Kadafi.

Assim, a primavera árabe propriamente dita, se limitou, até aqui à Tunisia e ao Egito. Os outros processos estão sobredeterminados pelo contexto geopolítico internacional. Quem pode dizer que hoje a Líbia se democratiza?

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