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Vamos bastar de lixo cultural!


Por Genaldo de Melo
Houve um tempo em que a formação de nosso povo através da criação literária, das artes e da dramaturgia foi considerada coisa séria e teve investimento humano e político necessário da parte dos atores principais que estavam imbuídos da responsabilidade de formar opinião através disso. Nesse tempo cultura era considerada coisa séria e necessária, e ainda tinha gente séria envolvida no processo.
Houve um tempo em que assistir novela na televisão era um dos principais ingredientes da formação de nossa juventude, e entretenimento capaz de formar bons cidadãos, entre os homens e as mulheres de nossa sociedade. Mas parece que os principais responsáveis por isso no Brasil ou regrediram os juízos ou estão de propósito a incutir em nossas mentes valores falsos que procuramos a todo custo combatê-los, porque na realidade queremos uma sociedade sadia para todos.
Apresentar o que existe de pior na natureza humana não é formar ninguém, principalmente as novas gerações vindouras, aliás, isso é contribuir com a degeneração cultural de nossa gente. Apresentar crimes, traições conjugais, corrupção, violência, chantagens, sequestros, e outras desgraças capitais, como se fossem coisas naturais não ajuda a população brasileira a melhorar sua condição humana em nada. Isso é no mínimo um desrespeito às instituições sérias de nossa sociedade que procuram a todo custo educar para um mundo melhor.
Essa ultima novela da Rede Globo de Comunicações, a tal da “Avenida Brasil” ultrapassou todos os limites o que pode ser considerado ponderável, ou melhor dizendo, tolerável. E olhe que a mesma conseguiu um fato inédito, preocupou toda a sociedade brasileira de que poderia haver um apagão elétrico no Brasil, dado ao fato de tantas televisões estarem ligadas ao mesmo tempo na desgraça da novela.
É preocupante o fato de que assuntos mais sérios e de interesses políticos, sociais e culturais poderiam ser tratados nas telenovelas brasileiras. Mas não! Como não existem regras claras para tanto, os produtores globais preferem em vez de contribuir para que sejamos um povo melhor, procuram incutir um niilismo falso e barato que em nada melhora nossa condição como nação. Dessa forma estão de fato colocando para o mundo que não somos um país sério como preconizava com preconceito recôndito De Gaulle.
Acredito no povo brasileiro como não acredito em nenhum outro povo mundo. Não vivemos de guerras e amamos qualquer cidadão do mundo que chegue a nossa terra, ao contrário de outras nações protecionistas culturais, que trata os brasileiros como gente miúda. Mas enquanto existir gente fraca que produz falsos espetáculos culturais em nossas televisões, seremos sempre considerados pelo mundo afora um povo colonizado.
Não vivemos de “Carminhas” e outros personagens ruins da última novela, vivemos é de uma Irmã Dulce, de uma Mãe Menininha do Cantois, e tanta gente boa que constrói esse Brasil de todos nós.
Pelo amor de deus, vamos exigir com nossa opinião que se melhore os conceitos de se fazer cultura no Brasil!

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