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Segundo turno: a difícil tarefa tucana para derrotar a esquerda

Editorial do Vermelho

É uma ironia para o tucano José Serra a campanha pelo segundo turno na eleição para prefeito começar justamente no dia do Professor. Ironia porque Serra, quando governador, destacou-se justamente por tratar na ponta do chicote (e com a mobilização da Polícia Militar do estado) os professores e outros funcionários públicos em greve. Agora, ele vai enfrentar justamente o ex-ministro da Educação de Lula e de Dilma Rousseff, Fernando Haddad, da coligação PT/PCdoB, juntamente com PP, PSB e, agora no segundo turno, PMDB. Haddad participou da implantação, entre outras coisas, do ProUni e da lei que estabelece o piso salarial nacional dos professores.

Haverá segundo turno em 50 entre as 83 cidades brasileiras com mais de 200 mil eleitores (entre elas, 17 capitais), cidades onde se encontram 31,6 milhões de eleitores, quase um quarto (22,5%) do total do país.

Três disputas se destacam – São Paulo, Salvador e Manaus – pelo enfrentamento de fortes consequências entre candidatos da base aliada do governo (Fernando Haddad, em São Paulo; Nelson Pelegrino, em Salvador: e Vanessa Grazziotin, em Manaus) que disputam com caciques do campo neoliberal e conservador (os tucanos José Serra em São Paulo e Artur Virgílio, em Manaus, e o herdeiro do carlismo, ACM Neto, do DEM, em Salvador) que tentam sobreviver à erosão eleitoral do conservadorismo.

Vanessa Grazziotin enfrenta, em Manaus, uma verdadeira frente ampla oligárquica que reúne os nomes que, há vinte anos, governam a cidade à frente de partidos conservadores e agora buscam manter seu domínio com o emplumado Artur Virgílio.

Em São Paulo e Salvador, a derrota pode ser fatal para o conservadorismo. Derrotando José Serra e ACM Neto, o eleitorado estará dando um claro sinal de “basta” ao conluio de forças da direita que dominam suas cidades e, a partir delas, obtêm ainda expressão no plano federal.

Uma derrota de José Serra terá inevitável reflexo na eleição presidencial de 2014, criando grandes dificuldades para o campo neoliberal e conservador na disputa da sucessão da presidenta Dilma Rousseff. Em Salvador, a eleição de Pelegrino e Olivia Santana vai ajudar a afundar de vez o direitista DEM.

O recado do eleitor, no dia 7 de outubro, foi uma clara exigência de mudança, e de fortalecimento da esquerda e do campo democrático e patriótico. O PT sagrou-se, pela primeira vez, como o campeão de votos em todo o país, com 17,5 milhões. E viu crescer também seu número de prefeitos eleitos, enquanto todos os demais partidos grandes viram seu número diminuir – principalmente o DEM, que perdeu metade dos dirigentes municipais eleitos em 2008.

O Partido Comunista do Brasil, por sua vez, teve um notável desempenho nesta maior campanha eleitoral de sua história. Elegeu 930 vereadores (em 2008 foram 612), e 51 prefeitos (foram 41 em 2008). No primeiro turno, destacam-se a eleição de Luciano Siqueira a vice-prefeito no Recife (PE), na chapa encabeçada por Geraldo Júlio (PSB), e a reeleição dos prefeitos de Olinda (PE), que conquistou a quarta gestão do PCdoB, e Juazeiro (BA). E está no segundo turno em Manaus (AM), Contagem (MG), Jundiaí (SP) e Belford Roxo (RJ), além das cidades onde, como São Paulo e Salvador, tem candidatos a vice-prefeito, além de Rio Branco (AC) e Belém (PA). Finalmente, em São Luiz (MA), o partido é um dos sustentáculos da candidatura de Edivaldo Holanda Júnior (PTC), que disputa o segundo turno contra o tucano João Castelo.

A vontade do eleitor confirma seu apoio às mudanças que o Brasil vive desde 2003, quando Lula assumiu a Presidência da República, mudanças que se aprofundam sob Dilma Rousseff. Mas o eleitor quer mais, como sua escolha por partidos como o PT, PSB e PCdoB demonstra.

O segundo turno foi previsto pelo legislador para aprimorar a proposta de programas e levar o eleitor a refinar a escolha feita numa primeira rodada da eleição na qual não deu a nenhum candidato mais da metade dos votos.

O eleitor quer propostas, mas não foi isso o que a direita neoliberal apresentou na inauguração da campanha no rádio e na TV nesta segunda-feira (15). Em São Paulo – como já se previa desde a semana anterior ao reinício da campanha – viu-se o festival de baixarias com que o tucanato, José Serra à frente, pretende conquistar o eleitor.

Tarefa difícil: confirmando pesquisas eleitorais anteriores a 7 de outubro (que indicavam Serra como o grande derrotado no segundo turno), as primeiras sondagens da nova etapa da eleição davam uma vantagem a Fernando Haddad de, no mínimo, 10 pontos percentuais. E há amplo consenso entre os analistas sobre a dificuldade que o tucano terá para superar sua himalaica taxa de rejeição (que chegou a 46% no início do mês de outubro). Outro consenso prevê a inutilidade dos apelos ao julgamento do chamado “mensalão” ou a questões de cunho moral (como o kit-gay alardeado por José Serra e seus acólitos).

O eleitor quer propostas para humanizar a cidade e não vitupérios de frágil aparência ética ou moral. Está vacinado contra a hipocrisia conservadora. Mesmo porque, com a extensa ação privatista dos governos estadual e federal de que participou, a defesa da moral e da ética deixa de ser uma boa opção para a propaganda eleitoral de José Serra, que tem avultada e reconhecida culpa no cartório.

O eleitor quer mudança e, em grandes cidades brasileiras, mudança tem nome – Haddad, em São Paulo; Vanessa, em Manaus; Pelegrino, em Salvador; Edivaldo, em São Luiz. O resto é verborragia neoliberal e conservadora de tucanos e seus aliados conservadores para tentar a difícil tarefa de derrotar o novo Brasil que se fortalece desde 2003.

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