Por Genaldo de Melo
Um dos principais defensores da saída da presidente Dilma Rousseff
antes do fim de seu mandato, em 2018, o senador Aécio Neves, presidente
nacional do PSDB, admitiu que não há motivo jurídico "claro" atualmente
para que haja um impeachment. A declaração foi feita ao jornalista
Kennedy Alencar, do SBT. Na conversa, Aécio tentou justificar a legalidade do golpe. "Em
primeiro lugar, é preciso que se diga que impeachment, ao contrário do
que muitos alardeiam, é uma previsão constitucional", disse, lembrando
que "o Brasil viveu, e não faz muito tempo, um processo de impeachment",
em referência a Fernando Collor. "E as instituições continuaram funcionando adequadamente. Feita essa
ressalva, é preciso que haja as condições jurídicas e políticas",
acrescentou. Questionado se "já há razão jurídica", respondeu: "Acho que
ainda não está claro. Reconheço isso. Mas nada impede que dentro de
algum tempo isso ocorra, porque as denúncias são muito graves". Aécio disse concordar com a declaração de Dilma de que seu mandato é
legítimo, por ter sido conquistado no voto, mas ressaltou que "se o
voto, eventualmente, foi obtido de forma fraudulenta, foi obtido com
dinheiro de propina ou com as instituições se submetendo ao interesse do
candidato, isso tira a legitimidade do voto". Lembrado, pelo jornalista, que isso não foi, até o momento, apontado
contra a presidente, Aécio confirmou: "Não foi. Nós estamos tendo
absoluta serenidade. Como você disse no início, sou presidente hoje do
maior partido de oposição. Nossa posição é de respeito absoluto à
Constituição". O tucano destacou que "o que é grave hoje, a meu ver, deve ser motivo
de enorme preocupação para todos nós, é a perda crescente de capacidade
de governança da presidente da República. Hoje nós temos um quadro
econômico que se deteriora a cada dia, com a inflação de alimentos já
acima de dois dígitos há muito tempo, tirando comida, da mesa do
trabalhador. Os juros na estratosfera. Hoje, cerca de 55 milhões de
brasileiros estão com prestações atrasadas há mais de 90 dias. Além
disso, temos uma economia parada que vai crescer..." O senador discordou da tese de empresários, mencionada por Kennedy,
de que a oposição, por ser tão aguerrida, contribui para o clima de
instabilidade política no País. "Não acho. Não acredito que seja de um
empresariado sério, porque seria responsabilizar a oposição pela
irresponsabilidade do atual governo", opinou. Assista aqui à íntegra. (Brasil247)
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