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O dono da Câmara dos Deputados



Por Genaldo de Melo
O Brasil realmente tem consolidado a imagem de que não é de fato um país que deve ser levado muito a sério, como dizia em alto e bom som o grande general francês Charles de Gaulle. Imagine que em todos os momentos da história política brasileira quando algum personagem do mundo político está no meio de um tiroteio de denúncias ou mesmo de investigação sobre suas respectivas atuações em processos e escândalos de corrupção, naturalmente que respondendo às necessidades de ter que se defender, procura fazer exatamente o que é mais certo do ponto de vista da moralidade, ou seja, afastar-se do cargo público a que exerce. Mas o que definitivamente não dá para compreender é como um indivíduo como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, depois do pedido de investigação feito pelo Procurador-geral da República, Rodrigo Janot ao STF, o mesmo continue exercendo tão importante cargo.

Parece que existe algum processo esotérico em torno de sua figura que a sociedade brasileira ainda não compreendeu, pois o mesmo depois de tão espetacular escândalo de que exigiu sobre o instrumento da ameaça e conseguiu cerca de cinco milhões de dólares de responsáveis pelos roubos da Petrobrás, consegue manter-se impassível e com o discurso de que não se afasta de modo nenhum do seu tão amado posto de presidente da Câmara dos Deputados. Talvez por ter tanto poder para captar recursos não somente para sua campanha, mas também para a campanha dos muitos deputados que resolveram calar diante do assunto, que o mesmo resolveu que tem realmente o poder de virar a mesa em sua defesa diante da gravidade do tema.

E além disso, no seu discurso de que não vai retaliar ninguém na condição de poder de fogo que tem ficaram algumas premissas do que poderá acontecer daqui para frente. Primeiro, quando ele fala que não vai retaliar, ao Governo ele simplesmente pode está querendo também dizer que pode sim retaliar na hora que quiser, porque já provou reiteradas vezes na Câmara dos Deputados que projetos que não interessam ao Governo, e em muitos casos que não interessam também à sociedade brasileira, na hora que ele quis, sempre conseguiu misteriosamente aprová-los, e até mesmo com as chamadas pedaladas regimentais.

Com seu discurso, também nas entrelinhas ele manda um claro recado para seus amigos do PSDB, do DEM, e para aqueles que orbitam em torno de seu misterioso poder, de que está a disposição para qualquer sabotagem contra qualquer iniciativa do Governo, inclusive aquilo que pode prejudicar os brasileiros. E do mesmo modo, em seu discurso parece também mandar um recado tácito, mas bastante claro, para o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que não reconhece sua denúncia como o cumprimento de um dever republicano, mas como mero produto de uma barganha política.

Com tudo isso se pode concluir sem sombras para muitas dúvidas de que estamos realmente num país que quando começa a entrar numa lista internacional de nações sérias, de novo começa a ser incluído na penumbra da falta de seriedade. E mais grave ainda, são os deputados federais que não tomam posição para fazer da Câmara dos Deputados uma Casa de legislação séria e reconhecida, e não um local da vergonha pública. A maioria dos deputados brasileiros está parecendo o personagem “Fabiano” de Graciliano Ramos, que quando viu o safado do Soldado Amarelo no meio do mato, não fez nada com medo do Estado.

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