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Ações internacionais para enfrentar a crise

Espera-se que todas as forças envolvidas, no Brasil, na América Latina e em todo o mundo, logrem levar à prática os acordos programáticos

Editorial da edição 466 do Brasil de Fato

Durante cinco dias, centenas de militantes sociais, entidades e intelectuais se reuniram em Porto Alegre (RS), no Fórum Social Temático, para realizar diversos debates e convergências de diálogos sobre a crise capitalista mundial e suas consequências no meio ambiente e nas populações.
O evento, realizado entre 24 e 29 de janeiro, sob o tema “Crise Capitalista, Justiça Social e social e Ambiental”, não teve o mesmo glamour e nem a participação massiva de edições anteriores. Não era um fórum mundial, era um fórum internacional, temático, com foco na crise e meio ambiente. Por isso, a participação foi mais militante e representativa. Houveram dezenas de reuniões, oficinas, seminários e debates, entre as mais diferentes redes internacionais e articulações sociais. Daí sua importância, de continuar sendo um espaço de exposições de ideias, de debates e diálogos entre diferentes entidades e visões de mundo.

Unidade na análise
O resultado desses diálogos é que se produziu uma profunda coincidência de análises e avaliações, entre os mais diferentes movimentos sociais presentes (do Brasil e da América Latina, alguns europeus), intelectuais comprometidos com o povo, entidades da sociedade civil e militantes anônimos, porém muito combativos. Todos concordaram que estamos no início de uma crise, prolongada, que é estrutural do capitalismo, agora globalizado, capitaneado pelo capital financeiro e suas corporações transnacionais. Também há concordância de que os Estados nacionais e seus governos estão à mercê dos interesses do grande capital, e de certa forma, de mãos amarradas para tomar medidas efetivas que pudessem resolver a crise, sem afetar os trabalhadores.
Por fim, todos concordaram que diante da crise, as grandes empresas capitalistas, seus bancos e corporações e seus governos nacionais, se movem para:
a) Utilizar os recursos públicos em seu proveito e assim amenizar a crise;
b) Provocar conflitos bélicos regionais, para gerar demandas ao complexo industrial-militar;
c) Reprimir possíveis mobilizações populares, como vem sendo feito nos Estados Unidos e Europa;
d) Se apropriar dos recursos naturais, privatizando-os para as empresas, como forma de transformar o capital fictício em patrimônio, bens efetivos, e assim na próxima etapa os transformar em lucros extraordinários;
e) Transformar os países do hemisfério sul em meros exportadores de matérias primas para suas necessidades;
f) Aumentar o desemprego no hemisfério norte, entre os trabalhadores das indústrias;
g) Que podem usar a conferência da Rio+20, como teatro internacional para dizer que estão interessados na sustentabilidade e criar um novo marco legal, que lhes dê credibilidade para se apropriarem dos recursos naturais, naquilo que se tem chamado de economia verde, e seguir acumulando lucros, com colorido verde.

Propostas unitárias
Diante dessa situação, realizou-se em Porto alegre, como última atividade do Fórum, uma importante assembleia mundial de movimentos sociais, que produziu um documento de análise, e selou um acordo unitário, entre todas as iniciativas, para:
a) Denunciar os Estados e governos que estão operando apenas em favor do capital;
b) Denunciar essa máscara de economia verde, como um engodo, para esconder a verdadeira causa dos problemas ambientais que se reproduzem em todo o mundo;
c) Ter claro que os principais inimigos do povo nessa etapa do capitalismo são o capital financeiro, as empresas transnacionais e os processos de militarização e repressão que ocorrem nos países;
d) Lutar por uma democracia verdadeira, que supere a mera representatividade formal, a manipulação que os capitalistas estão operando em relação aos governos, e construam novas formas de participação popular nos destinos dos países;
e) Esforçar-se para realizar grandes mobilizações de massa em todos os países, contra os inimigos comuns, única forma de podermos alterar a correlação de forças atuais;
f) Defender os recursos naturais de nossos países, como questão de soberania nacional e popular, frente à ofensiva e apropriação privada do capital;
g) Exigir dos governos políticas públicas de proteção aos interesses da maioria da população, em especial os mais pobres e trabalhadores;
h) Realizar esforços para enfrentar o monopólio dos meios de comunicação de massa, que em todos os países manipulam as massas e distorcem as verdadeiras causas da crise e suas graves consequências para a humanidade;
i) Redobrar os esforços para construir a unidade entre todas as forças sociais em nossos países e em nível internacional - única forma de enfrentarmos a força do capital;
j) Programar a semana de 5 junho como a grande jornada mundial, em defesa do meio ambiente e contra as empresas transnacionais;
k) Programar-se para realizar entre 18 e 26 de junho, no Rio de Janeiro, uma grande mobilização mundial, com acampamento permanente, realizando a Cúpula dos Povos, em contraposição a cúpula dos governos e do capital.
Como se vê, os espaços de Porto Alegre foram muito férteis na construção de convergência e unidade de propósitos. Agora, espera-se que todas as forças envolvidas, no Brasil, na América Latina e em todo o mundo, logrem levar à prática os acordos programáticos.

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