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Egito: Partidários do antigo regime podem estar por trás da violência

Irmandade Muçulmana e Coligação da Juventude Revolucionária acusam simpatizantes de Mubarak e a Junta Militar de estar por trás da violência após um jogo de futebol que provocou 74 mortos

Por Esquerda.net

O Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana e que tem a maioria no recém-eleito parlamento egípcio, culpou os partidários do ex-presidente Hosni Mubarak pela violência no estádio de Port Said que resultou na morte de 74 pessoas e cerca de mil feridos.

“Os eventos de Port Said foram premeditados e têm a assinatura dos partidários do antigo regime”, denunciou o deputado Essam al Erian em comunicado divulgado no site do PLJ.

Também os jovens que deram origem ao movimento da praça Tahrir e que se agrupam na Coligação da Juventude Revolucionária acusaram diretamente os militares que ocupam o governo desde o derrube do presidente Hosni Mubarak: “A junta militar quer demonstrar que o país está deslizando para o caos e para a destruição, são gente do Mubarak, e aplicaram a mesma estratégia que ele quando se apresentava como a alternativa ao caos”, disse à agência Reuters um porta-voz da organização.

Os confrontos generalizados entre partidários do Al Masry e do Al Ahly começaram logo após o final do jogo, vencido por 3 a 1 pela equipa da casa, o Al Masry. Adeptos desta equipe invadiram o campo e atacaram os jogadores adversários, que se esconderam no vestiário. O treinador do Al Ahly, o maior clube do Egito e da África, é o português Manuel José. Logo depois, os invasores voltaram-se contra os adeptos do Al Ahly e a violência intensificou-se.

De acordo com as autoridades locais, a grande maioria das vítimas teve fraturas no rosto e hemorragia interna. Além disso, dezenas de pessoas foram pisadas e outras asfixiadas durante a confusão.

Um dirigente do Al Masry, Mohamed Sein, afirmou à agência Efe que poderia haver infiltrados entre os adeptos do clube. “Não entendo como os torcedores do Al-Masry puderam fazer isso após a vitória. Acredito que havia infiltrados que os incitaram", disse.

“Abaixo o regime militar”

O primeiro-ministro egípcio anunciou já esta quinta ter aceitado a demissão do governador da cidade de Port Said e do diretor dos serviços de segurança de Port Said. A direção da federação de futebol egípcia também foi afastada.

Milhares de pessoas concentraram-se no centro do Cairo, bloqueando as estradas em volta da sede da televisão estatal e da praça Tahrir, em protesto pelas mortes em Port Said. Os manifestantes acusaram a polícia de incompetência e até mesmo de ter provocado os confrontos. Junto à estação ferroviária do Cairo, milhares de pessoas aguardavam a chegada de familiares e amigos que tinham ido ao jogo. Muitos gritavam “abaixo o regime militar” quando começaram a ser retirados dos comboios os corpos de algumas das vítimas.

Foi decretado o luto nacional de três dias. Todos os jogos da Primeira Liga egípcia de futebol foram suspensos indefinidamente.

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