Por Genaldo de Melo
Nenhuma nação pode ser considerada
grande do ponto de vista democrático propriamente dito se não tiver seu povo
necessariamente educado politicamente, para compreender as nuances do mundo
político propriamente dito. Não se pode necessariamente ser grande com uma
maioria mergulhada na ignorância política com se todos fossem personagens
orwellianos, impulsionados por apenas uma educação cultural política torta de
uns poucos meios de comunicações dominados por poucas famílias que literalmente
imbecilizam o resto como se animais fossem. O moralismo político e o juridicismo
arcaico de uma pequena minoria conservadora nunca farão de nosso país uma nação
melhor, senão uma pequena colônia de interesses dos rapazes da bandeira
listrada do Pólo Norte, e dos branquinhos da Europa (com todo respeito para não
ser processado por racismo).
Desde 2003 que o Brasil deu
acelerados avanços desenvolvimentistas para se tornar uma das maiores nações do
mundo a partir da visão futurista e republicana do ex-presidente Luís Inácio
Lula da Silva. Porém o grande erro do projeto que literalmente mudou o país
para melhor foi exatamente não construir um processo de educação política
pública, capaz de fazer com que nosso povo entenda como funciona a política
como coisa em si, principalmente entre nossos jovens que deverão naturalmente ser
os baluartes de nosso futuro. Foi exatamente não educando nosso povo que foi deixado
para desempenhar esse importante papel para a máquina da imbecilidade do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, e para a revista de esgoto da Marginal Pinheiro
Paulista.
Crescemos e todos sabem, distribuímos
renda, geramos emprego, e do mesmo os chamados grandes capitalistas também
aumentaram suas fortunas, mas deixamos para que uns poucos que não concordam
que pobre pode ter carro e casa, pode viajar de avião junto com os ricos, e do
mesmo pode ter filhos na universidade para poderem também pensar em
empreendedorismo, formarem opinião política. Esse sim foi necessariamente o
grande do petismo e do lulismo em nosso país desde 2003. Porém ainda existe
tempo de sobra para fazer com que se pense nesse país num processo de formação
política para que também os pobres que emergiram social e economicamente
entenda com funciona o jogo da política.
Porém somente quem poderá
propor uma ação dessa natureza são os atores políticos que imbuídos de poder político
tenha a ousadia de dizer que nas escolas temos sim que ter educação política
para crianças, jovens e adolescentes. Não é possível que não se pense nisso! Não
é possível que nosso país chegou ao patamar que chegou, sendo colocado entre as
melhores nações do mundo de todos os pontos de vista, e agora nosso povo sem
compreender exatamente a luta permanente pelo poder acompanhe o embalo cego e
torto de estamos no caminho errado, e retrocedamos ao passado aonde somente uns
tinham direito a carro, casa, avião e universidade, simplesmente porque 10% da
população rica desse país não concorda com o bem-estar da maioria, e
simplesmente querem escravos culturais e políticos.
Defendo educação política
pública, e absolutamente vou continuar defendendo, porque não acho que vai ser
apenas ensinando as regras do jogo político aos meus filhos em casa que vou
contribuir para que os brasileiros sejam educados politicamente. A escola deve ser
também o espaço apropriado para tanto. Vejamos o exemplo sombrio da ditadura
militar em nosso país, quando os generais sabiamente para manterem seu projeto
doentio a longo prazo criaram nas escolas a disciplina educação moral e cívica.
Exatamente porque eles queriam educar politicamente o povo brasileiro do seu
modo para manter os interesses em voga culturalmente nas mentes e nos corações
de todos. Por que não queremos compreender isso? Que educação política deveria
ser tratada como política Pública e não apenas coisa de partido político de esquerda, de sindicato ou de
associação de moradores!
Se Dilma Rousseff principal
responsável pela condução dos processos desenvolvimentistas que foram iniciados
lá atrás em 2003, não pensar urgente com seus assistentes em educar também
politicamente a atual geração entraremos ali na frente numa rota de coalização
perigosa, porque perdendo o poder esse grupo que coordena o país, quem entrar
no controle vai naturalmente construir instrumentos para nunca mais o Estado
ser para todos, e sim de poucos signatários e suas famílias dos condomínios
fechados, dos helicópteros de plantão, e dos escravos a vista. Exemplos das
entrelinhas da falta de educação política não faltam para servir de preocupação:
um Congresso Nacional praticamente conservador, da bala, do bife, do
agronegócio, que aprova PL 4.330, muda as regras da sociobiodiverdade, aprova
financiamento privado de campanhas para que donos de partidos controlem os
recursos, chantageiam partidos pequenos com programas sérios para o país para
tentarem aprovar “distritão”, e outras coisas demoníacas mais que o povo não
compreende!
Não podemos mais viver num
país que poucos compram consciências e votos, e depois de alguns meses nosso povo
nem sequer lembre mais em quem votou nos outubros da vida. Cabe ao Estado sim
educar politicamente o povo para saber exatamente como funciona o sistema e o
Estado propriamente dito.
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