Editorial Vermelho
O anúncio, pelo governo da República Popular Democrática da
Coreia (RPDC), de uma moratória nos testes com mísseis de longo alcance e
de experiências nucleares, além da permissão para inspetores da AIEA
(Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU) visitarem as
instalações nucleares do país, é um avanço no sentido da paz.
O anúncio foi feito dia 29, depois de um longo período de negociações
entre representantes dos governos da Coreia e dos EUA, ocorridas em
Pequim desde julho de 2011. E foi classificado por um porta-voz do
governo da RPDC como parte do esforço para “manter uma atmosfera
positiva para a retomada das conversações de alto nível” entre o país e
os EUA, envolvendo o chamado grupo dos seis – Coreia do Norte, EUA,
China, Rússia, Japão e Coreia do Sul –, suspensas desde 2008 devido ao
descumprimento, pelos EUA, de compromissos assumidos durante a
negociação e em consequência das sanções e ameaças feitas contra a RPDC.
O governo de Pyongyang sinaliza sua intenção pacífica. A necessidade de
defender o país impõe um alto custo e a busca da paz é necessária para
enfrentar os graves problemas econômicos e sociais.
O anúncio feito não pode ser interpretado, contudo, como sinal de
fraqueza, mas de boa vontade perante um interlocutor que, nas
negociações passadas, notabilizou-se por fazer promessas na mesa de
negociações e deixar de cumpri-las na vida real: o governo dos EUA.
Neste sentido, todas as dúvidas são legítimas, uma vez que
periodicamente os Estados Unidos realizam em conjunto com a Coreia do
Sul manobras militares, como agora, nas proximidades da fronteira com a
RPDC, envolvendo 200 mil soldados sul-coreanos e 2.100 dos EUA,
previstas para durar até 9 de março. É preciso que cesse esta prática
militarista, assim como a estigmatização da Coreia do Norte como país
pária, ou bandido, como os Estados Unidos acusam.
A manobra conjunta contraria os propósitos de paz e diálogo demonstrados
pela RPDC, cujo governo foi claro a respeito: o país está preparado
para a paz e também para a guerra contra a Coreia do Sul e os EUA, como
informou a agência oficial KCNA.
O anúncio feito pelo governo de Pyongyang aponta para o caminho da paz e
da negociação, com respeito à integridade e à soberania dos países
envolvidos. Os belicistas do EUA persistirão neste rumo? Esta é a
pergunta que precisa ser respondida.
Comentários
Postar um comentário