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Ventos de guerra

Duas novas aventuras militares no Oriente Médio estão no topo da agenda do imperialismo

   
Igor Fuser - Brasil de Fato

Duas novas aventuras militares no Oriente Médio estão no topo da agenda do imperialismo. Uma delas permanece envolvida em suspense: alguém se arrisca a antecipar se Israel lançará um ataque aéreo contra instalações nucleares do Irã? Os previsíveis estragos que tal agressão causaria à economia global, entre eles a disparada do preço do petróleo, sugerem que não se leve a sério essa ameaça. Obama não permitiria, imagina-se. Por outro lado, como comentou o jornalista Robert Fisk, seria um erro descartar uma loucura pelo simples fato de ser loucura.   

Já no caso da Síria, acumulam-se as evidências de que é iminente uma invasão estrangeira com o objetivo de substituir o regime de Bashar Assad por marionetes dos EUA. O veto dos russos e chineses a uma resolução das Nações Unidas que abria o caminho para o uso da força militar inviabilizou a repetição da farsa encenada na Líbia, mas não impedirá a guerra. A operação já atingiu um ponto sem retorno e tudo leva a crer que seguirá adiante, com ONU ou sem ONU. Para evitar desgaste político, desta vez o chamado “Ocidente” resolveu delegar o serviço sujo a prepostos regionais, que agirão como um “grupo de amigos da Síria”. O plano prevê bombardeios aéreos e o envio de tropas da Arábia Saudita, Catar e Turquia em apoio – “humanitário”, é claro – aos rebeldes que recebem dinheiro e armas do exterior para provocar uma guerra civil na Síria. Forças especiais dos países citados já atuam diretamente no conflito.    

O desenlace é incerto, pois Assad parece contar com uma significativa base de apoio popular e tem na Rússia um importante aliado externo. Mas talvez isso ainda seja pouco diante dos predadores ávidos por derrubar um governo que se opõe ao projeto estadunidense de domínio do Oriente Médio e apóia a resistência palestina e libanesa ao sionismo. A mobilização internacional pela paz e autodeterminação – justamente o que faltou no episódio da Líbia – pode fazer a diferença na defesa da Síria.

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