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O Brasil, a FIFA e a nossa soberania

Editorial do Vermelho

As descabidas e inaceitáveis declarações do secretario geral da Fifa, Jérôme Valcke, sobre o andamento das obras para a Copa do Mundo no Brasil estão recebendo as justas respostas de membros do governo brasileiro. As palavras de baixo calão do francês refletem um grande preconceito e desrespeito para com nosso país.

O dirigente da Fifa falou absurdos que ofenderam profundamente não só membros do governo, mas o brio de todos os brasileiros. Em entrevista concedida na últimaa sexta-feira (2), Valcke disse que as obras para a realização do Mundial no Brasil "estão em estado crítico", chegando a dizer que os organizadores "precisavam de um pontapé na bunda" para, segundo ele, as coisas andarem.

De forma correta, nesta segunda-feira (5), o ministério do Esporte, em nome do governo brasileiro, apresentará uma notificação formal à Fifa demonstrando descontentamento com as declarações impertinentes e exigindo a substituição de Valcke como interlocutor da entidade junto ao governo brasileiro. Já avisou também que caso o francês mantenha sua viagem ao Brasil, agendada para a próxima quinta-feira, não será recebido por nenhum membro do governo brasileiro.

Ao tomar conhecimento das declarações de Valcke, o primeiro a se manifestar foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Em entrevista coletiva na manhã do sábado (3), afirmou que "as declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro. As declarações contradizem completamente o que o próprio secretário falou em sua visita no dia 17 de janeiro. As informações não são verdadeiras, porque os estádios estão inclusive adiantados ao cronograma inicial da Copa", disse Rebelo.

Neste domingo (4), o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, foi mais duro em suas palavras e chamou Valcke de “vagabundo” e “boquirroto”. Reforçando a posição de Aldo Rebelo, Garcia disse que “Valcke como interlocutor da Fifa já está riscado” e que caberá à entidade escolher outro nome.

As declarações de Valcke, na prática, nada têm a ver com o ritmo das obras que vão sustentar o Mundial. Aliás, o próprio relatório oficial comprova que para a Fifa o andamento está satisfatório. Em todos os quesitos analisados existem elogios declarados por técnicos responsáveis pela análise e que estiveram visitando cidades sedes em janeiro.

O que Valcke não pode dizer é que de fato está incomodando, com a postura soberana do governo e do parlamento brasileiro no trato das questões relacionadas com a organização da Copa. A votação da Lei Geral da Copa, que vai definir o arcabouço jurídico em que vai se dar o evento no Brasil, tem sido minuciosamente debatido e negociado com as peculiaridades inerentes à nossa democracia.

O próprio ministro Aldo Rebelo tem deixado claro as profundas diferenças quanto aos interesses que levam o Brasil a sediar a Copa e os objetivos que tem a Fifa, uma entidade privada que visa exclusivamente ao lucro com o evento. O futebol para o brasileiro é muito mais que um esporte. Faz parte da cultura do brasileiro o amor ao futebol, que é das expressões mais valorizadas em nossas vidas.

Por isso, é motivo de grande orgulho para os brasileiros sediar a Copa de 2014. Reflete o momento político e econômico de destaque mundial que alcançou nosso país. Mas, apesar da importância que damos a sediar tal evento, o governo brasileiro demonstra em cada gesto que não vai aceitar as imposições e chantagens da Fifa.

O governo e o parlamento têm tratado o assunto da Lei Geral da Copa pautados pelo princípio da soberania e estão procurando um equilíbrio entre as leis existentes e as possíveis adaptações a serem feitas para cumprir as exigências apresentadas pelos organizadores do Mundial.

Foi a própria Fifa que definiu o Brasil como país sede. E o fez reconhecendo as potencialidades da nossa terra, que são ainda mais valorizadas com a vigência há uma década de governos soberanos, que alçaram nossa nação a novo patamar no mundo atual.

A reação do governo brasileiro deve ser apoiada e seguida por todo o nosso povo, pois reflete o novo momento que o país atravessa. O povo brasileiro não aceita ser desrespeitado e ofendido. E o “vagabundo” que deu as infelizes declarações será tratado daqui para a frente como persona non grata nas terras brasileiras.

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