Por Genaldo de Melo
Após o recesso parlamentar, em agosto, o presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), poderá ficar frente a frente com o
seu delator. Isso porque a deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA)
protocolou nesta segunda-feira (20), na Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) da Petrobras, um pedido de acareação entre Cunha e o
ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo. Em delação premiada pela operação Lava Jato na semana passada,
Camargo – que é acusado de ter participado do esquema de corrupção na
Petrobras – afirmou que o presidente da Câmara o pressionou a pagar uma
propina de US$ 5 milhões para viabilizar obras de navios-sonda da
estatal. O peemedebista, por sua vez, acusou o governo federal de
articular sua incriminação junto à Justiça e, como forma de retaliação,
anunciou o rompimento com o Palácio do Planalto no dia seguinte. “A confrontação de versões entre o empresário e o presidente da
Câmara, na CPI, é necessária, já que Eduardo Cunha coloca em xeque a
delação de quem o acusa. A comissão parlamentar precisa avançar neste
sentido e, em consonância com as atividades do Judiciário, até porque
não pode proteger este ou aquele personagem político”, justificou a
deputada que fez o pedido de acareação. O requerimento será analisado pela CPI em agosto.
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